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O Contrato de Divórcio romance Capítulo 4

Ponto de vista de Pamela

Dizem que toda sogra é uma bruxa em potencial.

É porque não conheciam a minha.

Sônia Alencar não era uma bruxa. Sônia Alencar era o capeta de saia justa e unhas postiças. A mulher que tinha acabado de anunciar para cento e quarenta mil seguidores no I*******m que o casamento de mentira do filho estava renovado por mais seis meses.

Eu ainda olhava para a tela do celular de Lucas quando a ficha caiu.

Não era só um contrato.

Não era só uma cláusula esquecida.

Era uma conspiração de família.

— Sua mãe sabia. — Minha voz saiu baixa, mas o veneno escorria por cada sílaba. — Ela sabia da cláusula 14 o tempo todo, não sabia?

Lucas guardou o celular no bolso com um movimento brusco.

— Não interessa o que ela sabia.

— Interessa, sim. Porque isso muda tudo. — Levantei da cadeira e comecei a andar de um lado para o outro no escritório. Meu salto fazia clique-clique-clique no mármore. Eu não conseguia parar. Era raiva. Raiva pura, combustível, solta. — Sua mãe nunca me quis nessa família. Ela me chamou de oportunista na frente de todo mundo no nosso jantar de núpcias. Lembra? Ou você finge que não?

Lucas não respondeu.

— Claro que lembra. — Continuei, porque parar significava explodir. — Ela disse que eu só casei com você pelo dinheiro. Que uma arquiteta falida não tinha nada a ver com um Alencar. E agora? Agora ela está organizando uma festa de renovação de votos? Por quê? Porque de repente eu sou boa o bastante para o menino dourado dela?

— Pamela. — Lucas tentou me cortar.

— Não. — Parei no meio da sala e apontei o dedo para ele. — Você não vai me calar agora. Sua mãe é uma serpente de salto alto e ela acabou de destruir qualquer chance que eu tinha de sair desse inferno com discrição. Cento e quarenta mil pessoas sabem que eu sou "casada" com você, Lucas. Cento e quarenta mil!

Ele não se mexeu. Apenas me observava com aqueles olhos cor de mel que pareciam enxergar dentro de mim. Eu odiava quando ele fazia isso. Como se eu fosse um projeto arquitetônico e ele estivesse procurando falhas na planta.

— Já terminou? — perguntou, calmo demais.

— Quase. — Respirei fundo. — Só mais uma coisa.

— Fala.

— Espero não ver a sua mãe nem tão cedo. De preferência, nunca mais. Se ela aparecer na minha frente nos próximos seis meses, eu juro por Deus que vou falar tudo o que penso. E não vai ser bonito.

Lucas inclinou a cabeça. Pela primeira vez desde que o advogado saiu, alguma coisa parecia diverti-lo.

— Curioso você dizer isso. Porque ela adora você.

Eu gargalhei.

Não foi um riso educado. Foi uma gargalhada escandalosa, que ecoou pelas paredes de vidro e fez a Mercedes provavelmente se encolher na recepção.

— Adora? — repeti, quando consegui recuperar o fôlego. — Lucas, a única coisa que sua mãe adora em mim é a distância entre nós. Ela mal olhava na minha direção nos jantares de família. Ela nunca me ligou para saber como meu pai estava. Ela nem sequer...

— Ela foi no enterro do seu pai.

O golpe veio seco.

Eu fechei a boca.

Foi. Sônia Alencar foi no enterro do meu pai. Ficou no fundo da igreja, de preto, sem falar com ninguém, mas foi. Eu nunca soube por quê. Talvez para garantir que o contrato ainda estava de pé. Talvez para certificar que eu não fosse fugir antes do prazo.

— Ela foi, sim. — Minha voz ficou mais baixa. — E não disse uma palavra.

Lucas suspirou. Passou a mão no rosto de novo. O gesto cansado estava começando a me irritar. Ele não tinha o direito de estar cansado. A vítima aqui era eu.

Capítulo 4 – Só meu 1

Capítulo 4 – Só meu 2

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