Ela jogou a ficha de admissão sobre a mesa. Ao ver uma mensagem de Gonçalo perguntando sobre Estela, contou a ele o que tinha acontecido naquela ligação.
No escritório da presidência, Gonçalo repetiu para Lucas, palavra por palavra, a resposta do RH.
Lucas franziu a testa ao ouvir.
Ele não entendia a escolha de Estela.
Ela estava fora do mercado havia tantos anos. Com a situação de emprego daquele jeito, mesmo que arranjasse algo, provavelmente seria numa empresa pequena, sem relevância.
Sem nem entrar na relação entre os dois, a empresa Farias era conhecida em toda a Cidade N por oferecer os melhores benefícios e salários.
Estela tinha a chance de ficar ali, mas preferiu ir para outro lugar. O que ela estava pensando?
Mesmo assim, ele não se importou tanto.
Já tinha dado tempo suficiente para ela resolver os próprios problemas.
Hoje, só perguntou por acaso, porque não a viu o dia inteiro.
Para onde ela quisesse ir, o que quisesse fazer, não era problema dele.
Lucas foi até o bar no canto da sala e serviu uma dose de bebida.
— E a situação da Jéssica? Já resolveu?
Gonçalo respondeu:
— A empresa onde a Srta. Jéssica tinha acabado de entrar já foi comprada. Eles estão passando pela fase de transição. Também aumentamos o pacote dela. O salário agora é de seiscentos mil por ano.
— Seiscentos mil? — Lucas girou o copo entre os dedos, o tom despreocupado. — Pelo nível dela, isso ainda é pouco. Transfere trinta por cento das ações da nova empresa para o nome dela.
Os olhos de Gonçalo se arregalaram.
— Mesmo sendo uma filial, nunca houve precedente de dar participação societária para um funcionário novo. Isso não é meio exagerado?
Na cabeça dele, o salário já era alto demais.
Na Cidade N, aquilo era topo de mercado. E ainda era o dobro do que Jéssica ganhava fora do país.
Por mais capaz que ela fosse, ainda era recém-chegada, sem resultados concretos.
Se isso se espalhasse, muita gente não aceitaria.

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