Com o que já sabia, o corretor começou a montar a história inteira na cabeça.
Que Evandro era rico, isso era óbvio. O carro parado lá embaixo custava mais do que ele ganharia em cem anos de trabalho. Na cabeça dele, Evandro só podia ser um herdeiro de família rica.
Já Estela não tinha dinheiro, isso também saltava aos olhos. Mas tudo o que ela vestia eram marcas caras. Então, na lógica dele, ela devia ser uma mulher mantida por alguém.
Agora, ela tinha perdido o respaldo de quem bancava, e o jovem rico estava se aproveitando da brecha para chegar mais perto.
Se Estela morava ali porque realmente não tinha escolha, Evandro só podia estar ali por causa dela.
O corretor esfregou as mãos, animado.
— Sr. Guimarães, disso eu entendo. Posso te ajudar.
Evandro olhou para ele, sinalizando que continuasse.
— Primeiro, como você deixa ela morar num lugar desses? Você tem que dar um jeito de tirar ela daqui, levar pra um lugar melhor, um apartamento grande, num bairro bom.
Evandro apoiou o queixo nos dedos, pensou um pouco e disse:
— Acho que ela não vai ficar aqui por muito tempo.
O corretor se empolgou, já pronto para sugerir condomínios de alto padrão.
Mas Evandro continuou:
— Pela capacidade dela, não deve levar mais de seis meses para sair daqui por conta própria.
O corretor ficou um instante sem reação.
Capacidade de quem?
Do que ele estava falando?
Era algum tipo de jogada?
Evandro nem ligou para a cara confusa dele.
— Continua.
O corretor engoliu o comentário que ia soltar e seguiu:
— Segundo, você precisa partir pra cima. Ela provavelmente já gosta de você, só está esperando você falar primeiro.
Evandro era bonito, bem vestido, tinha dinheiro. Quase não havia defeito.
— Só guarda uma coisa. — O corretor deu dois tapinhas no ombro de Evandro e riu de canto de boca. — Não vacila. Vai direto. Sentimento se constrói. É só transferir uma grana alta, mandar presente atrás de presente. Se ela disser que não quer, é porque quer…
Antes que ele terminasse, Evandro o puxou de lado, colocou o contrato assinado nas mãos dele e falou, frio:
— Já chega. Pode ir.
O corretor ficou perdido.
— Mas, Sr. Guimarães, eu nem terminei.
— Não precisa. — Evandro respondeu. — O seu jeito de pensar é torto. Quando uma mulher diz não, é não. Quando não gosta, é porque não gosta.
O corretor ainda tentou:
— Você é inocente demais. Eu vejo isso todo dia.
Evandro já não tinha paciência.
— O que você vê não representa todo mundo. E a sua visão não fala por elas. Pode ir. Ficar aqui só vai me fazer perder tempo.
Com isso, o corretor xingou Evandro em silêncio e se virou para ir embora.

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