Heraldo ainda usava o mesmo terno que vestia quando o encontrou no estacionamento, mas agora com um sobretudo escuro por cima, o que lhe conferia um ar mais despojado e elegante.
Ágata estava perto da porta, o que inevitavelmente a colocou cara a cara com Heraldo primeiro.
O homem tinha quase um metro e noventa de altura. Ágata, com seu metro e sessenta e cinco, não era baixa, mas parecia pequena ao lado dele.
Heraldo se aproximava, e com ele, uma sensação avassaladora de pressão.
Ágata desviou o olhar, os lábios cerrados, sem intenção de cumprimentá-lo.
Ela presumiu que ele também a ignoraria.
Mas Heraldo parou de repente ao seu lado.
— Para você.
Uma caixa antiga e requintada foi estendida em sua direção.
Ágata parou, uma expressão de dúvida em seu rosto.
Heraldo simplesmente segurou a caixa, esperando com uma paciência rara que ela a pegasse.
Seu olhar era profundo e escuro, e Ágata não conseguiu evitá-lo.
Ela não queria que os dois ficassem se encarando em silêncio, então, finalmente, pegou a caixa com relutância.
Ela baixou o olhar para a caixa em suas mãos, e ouviu Heraldo continuar:
— É o presente de aniversário de casamento. Para você.
Dito isso, Heraldo passou por ela e continuou a caminhar para dentro.
Ágata ficou paralisada, a caixa em suas mãos parecendo uma batata quente, deixando-a completamente perdida.
Heraldo nunca lhe dera um presente de aniversário de casamento.
Hoje era a primeira vez.
Os dedos de Ágata se apertaram instintivamente, suas unhas cravando-se na palma da mão.
Mas, e daí?
O abismo e as fissuras entre eles não poderiam ser consertados com um pequeno presente.
De qualquer forma, ela não voltaria atrás.
Quando o jantar começou, o sol já havia se posto completamente.
Na mesa redonda da sala de jantar, os pratos estavam dispostos de forma organizada.
Ágata e Heraldo sentaram-se em lados opostos da avó Eugênia, enquanto Alvito estava em sua cadeira de criança.
— Vocês não imaginam como me sinto solitária todos os dias nesta casa enorme. — Eugênia fez um biquinho, queixando-se de forma adorável. — Eu só queria que vocês viessem com mais frequência, como hoje, para me ver e jantar comigo...
— Será que você só soube porque eu te lembrei?
Antes que Heraldo pudesse responder, ela olhou para Ágata e continuou:
— Em um dia tão significativo, você deu um presente para Ágata? Se não deu...
Heraldo a interrompeu imediatamente.
— Dei. Pode perguntar a ela.
Ágata piscou, e uma suspeita surgiu em sua mente.
Heraldo, pela primeira vez, lhe deu um presente hoje. Será que foi para satisfazer Eugênia e fazê-la parar de importuná-lo?
— Já deu? — Eugênia ergueu as sobrancelhas surpresa, depois olhou para Ágata e sorriu. — Ágata, o que aquele rapaz te deu? Já abriu para ver?
— Ainda não. — Ágata balançou a cabeça e pegou a caixa que Heraldo lhe dera.
— Então abra logo e veja. — Eugênia a incentivou, com expectativa.
Ágata olhou de relance para Heraldo.
Ele também a estava olhando, com um olhar profundo e intenso.
Ágata desviou o olhar rapidamente, baixou a cabeça e abriu a caixa à sua frente.

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