Claro, pessoas de fora não tinham conhecimento dos assuntos da família, não era algo de que se orgulhavam, afinal de contas.
Ryker mantinha em segredo que envenenara o pai e aprisionara a irmã, pois seria ridicularizado e humilhado se descobrissem.
Havia mais uma razão para esconder isso a sete chaves, porém. Nem mesmo Godrick sabia qual era esse segredo, mas queria descobrir. Apenas os dois irmãos sabiam.
Beatrice sabia o que estava por vir quando viu o irmão entrar com o chicote e se levantou devagar, com indiferença.
Depois de mais de vinte anos de dor e sofrimento, nada mais poderia abalá-la.
Aquele comportamento irritava mais ainda ele, que pegou o chicote e começou a golpeá-la.
Ver as linhas de sangue aparecerem em seu corpo foi uma cena chocante.
No entanto, a expressão em seu rosto não mudou. Ela sequer franziu as sobrancelhas, como se o chicote não estivesse atingindo seu corpo.
“Seu mald*to filho teve coragem de bater em Edgar! Um dia vou capturá-lo e reunir vocês dois...”, disse rangendo os dentes e batendo com mais força.
À menção de seu filho, a expressão dela sofreu uma leve mudança. Queria perguntar como ele estava, mas não o fez. Sabia que seu irmão não lhe diria nada útil ou verdadeiro.
Enquanto o homem continuava batendo nela, Godrick pegou o telefone em segredo e gravou a cena com mãos trêmulas.
Sua testa estava coberta de suor frio. Estava se arriscando, pois se Ryker descobrisse, seria morto na hora. No entanto, escolheu assumir o risco para avançar com seus planos.
Com seu poder e influência atuais, sabia que seria difícil, se não impossível, tirar ele da posição de chefe da família.
Acreditava que o homem seria capaz de entrar em contato com ele. Se e quando ele visse as imagens, certamente ficaria furioso.
Claro, fazer isso representava um grande risco. Se Ryker descobrisse a existência das imagens ou até mesmo as encontrasse, saberia quem era o responsável pela gravação.
No entanto, os riscos e os benefícios estavam equilibrados, e o outro estava ficando um pouco impaciente...
Ao mesmo tempo, a centenas de quilômetros dali, Rayleigh passeava dentro da base da seita do deus da medicina. Havia se apaixonado pelo lugar depois de passar um tempo se recuperando lá.
O ar era agradável, as paisagens eram bonitas, e havia muitas pessoas comuns vivendo vidas cotidianas.
Não havia esquemas, brigas ou derramamento de sangue lá. Era praticamente um refúgio.

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