“Fique calmo, Edgar. Seu caso não está perdido. É só que...”, hesitou ele.
“Você tem uma solução, Mestre? Me diga!”
Um lampejo de esperança passou pelos olhos do homem.
“A esta altura, se você quiser se recuperar, precisa deixar o mal entrar em seu corpo. Só assim poderá ser curado”, disse-lhe o velho cerrando os dentes.
Edgar se perdeu em pensamentos. Não entendia o que significava deixar o mal entrar em seu corpo ou sobre o que seu mentor estava falando.
“O que você quer dizer, Mestre? Farei o que for preciso para me recuperar!”
Com a mente focada na recuperação e na vingança, não pensou no custo.
“Pense com cuidado, Edgar. Permitir que espíritos malignos entrem em seu corpo não o tornará nem humano nem demônio. O ato pode até devorar sua alma”, alertou.
Seu pupilo gritou com todas as forças: “Farei o que for preciso, Mestre! É melhor do que ficar acamado como um inválido pelo resto da vida, de qualquer maneira. Eu aceito!”
Derrell mergulhou em silêncio e pensou por um tempo antes de ranger os dentes e dizer: “Está bem, vou fazer o que você quer.”
Depois disso, o velho saiu do quarto, mas voltou sem demora com um sino de madeira debaixo do braço. Uma camada de poeira cobria o objeto requintado.
Ele limpou a poeira e olhou para o item. “Espero ter tomado a decisão certa...”
Em seguida, começou a murmurar algo e um raio de luz dourada irrompeu do sino.
Os olhos de Edgar se arregalaram com a visão.
Uma fumaça negra surgiu do sino e mergulhou a sala num frio cortante um momento depois, seguindo-se a isso, uma sombra escura tremulou no ar até se tornar visível e soltou uma risada maníaca.
“Hah! Finalmente estou livre!”

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