Os cultivadores demoníacos ficaram lívidos.
Alguns cerraram os punhos até as unhas afundarem nas palmas.
Alguns baixaram a cabeça, incapazes de encarar o ouro ofuscante no céu.
Em outros, o medo lentamente se contorceu em raiva. Seus peitos subiam e desciam com força, cada respiração pesada e áspera.
"Chega!"
O grito estalou pelo campo de gelo e cortou o escárnio do Grande Ancião Greenwood.
Jared ficou diante de todos.
Seus olhos violetas eram mais frios que aço. O vento cortante açoitou seu manto cinzento atrás dele, fazendo a barra estalar como uma bandeira.
Ele não elevou a voz, e ainda assim ela atravessou o vento e a pressão dourada, chegando com clareza a cada ouvido.
"Se querem lutar, então lutem. De onde veio toda essa conversa?"
Os olhos do Grande Ancião Greenwood pousaram nele.
Um brilho escuro e gelado passou por eles.
"Então você é Jared Chance? Um inseto no Nível Dois do Imortal Dourado ousa latir diante de mim? Entende que posso esmagá-lo com uma só mão?"
"Então faça isso."
O tom de Jared era quase casual. Um leve arco chegou até a tocar seus lábios. "Acha que ficar aí em cima falando vai nos matar? Desça e tente."
A expressão do Grande Ancião Greenwood afundou.
Ele vivera por dezenas de milhares de anos. Era um ancião do Alto Templo Celestial, um nome que carregava peso por todo o Vigésimo Firmamento.
Nenhum júnior no Nível Dois do Imortal Dourado jamais havia falado com ele daquela forma.
Aquele tom descuidado, aquele desprezo escancarado, derramaram óleo direto sobre sua ira.
"Muito bem. Já que está tão ansioso para morrer, eu lhe concederei isso."
Ele ergueu a mão direita.
A luz dourada se reuniu violentamente em sua palma e formou uma flecha de comando. Ela disparou para o céu e explodiu.
Incontáveis pontos dourados choveram como estrelas cadentes, cada um deixando um rastro brilhante pela noite.
"Matem todos. Não deixem sobreviventes."
A ordem caiu.
O mundo pareceu mudar de lugar.
Dezenas de milhares de cultivadores celestiais e humanos se moveram ao mesmo tempo.
O campo de gelo tremeu sob a investida. Um rugido surdo correu pelo chão congelado, e rachaduras se espalharam pelo gelo em linhas grossas e irregulares.
A luz dourada avançou em ondas. Os clarões frios de armas e artefatos arcanos se entrelaçaram sob a lua até que todo o campo pareceu coberto por uma rede de morte.
Gritos de batalha rasgaram o silêncio.
"Matem!"
"Matem os cultivadores demoníacos e troquem suas cabeças por elixires dourados!"
"Não deixem nenhum escapar. Cada cabeça demoníaca é um elixir. Um único elixir pode elevar seu reino!"
Os cultivadores celestiais atacaram primeiro.
A luz divina dourada ardia sobre eles. Sob a lua, pareciam flechas disparadas de mil arcos.
Seus olhos estavam febris.
Fé e ganância haviam se fundido dentro deles. Não havia hesitação, nem piedade, apenas o impulso de massacrar.
Os cultivadores humanos vieram logo atrás.
Eles não tinham a devoção cega dos celestiais, mas a ganância já havia devorado sua razão.
Os elixires prometidos os açoitaram como um chicote invisível, empurrando-os contra os cultivadores demoníacos, que pareciam já ter perdido toda a coragem.
Suas mãos tremiam em torno das armas.
Não de medo.
De excitação.
Os cultivadores demoníacos começaram a tremer.
Fitaram a maré inimiga avançando sobre o gelo, a luz dourada enchendo a noite, a floresta de armas apontada para eles.
O desespero os encharcou como água congelante.
Alguém deu um passo para trás sem perceber.

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