Uma alegria imperceptível passou pelos olhos de Maurício: — Parabéns, finalmente saiu do inferno.
Ele passou a língua nos lábios, parecia que queria dizer algo, o pomo de adão subiu e desceu, mas no final engoliu as palavras. Ele só repetiu o parabéns e não disse mais nada.
Beatriz olhou para ele, mas também não tomou a iniciativa de falar.
Os dois ficaram sentados frente a frente. A música de fundo do bar e as risadas das mesas vizinhas os rodeavam, mas a mesa deles ficou estranhamente silenciosa, e uma camada fina de tensão pairou no ar.
Bem quando não sabiam o que dizer, Maurício quebrou o gelo: — Os testes em humanos começam amanhã?
Beatriz assentiu: — Sim.
Maurício disse: — Que dê tudo certo.
Beatriz assentiu de novo, pegou o copo, deu um gole e não disse mais nada.
Maurício olhou para o lugar de onde tinha vindo, levantou-se e disse: — Tenho amigos ali, com licença.
Beatriz assentiu. Ele foi embora, e suas costas com o moletom cinza claro desapareceram na luz amarelada do bar.
Giovanna Mendes saiu do banheiro, sacudindo a água das mãos enquanto caminhava para a mesa. Vendo que o lugar de Maurício estava vazio, ela estranhou: — Ué, onde ele foi parar?
Beatriz respondeu com calma: — Foi fazer companhia aos amigos ali.
Giovanna Mendes suspirou, ergueu o copo e brindou com ela. A borda dos copos fez um tilintar nítido: — Melhor assim. Não se apresse em entrar em outro relacionamento. Aproveite a vida um pouco primeiro. Vamos lá, um brinde à liberdade.
Assim que Beatriz pegou o copo, o celular vibrou na mesa.
Ela olhou para baixo e três palavras piscaram na tela: Sra. Monteiro.
Giovanna Mendes virou a cabeça, olhou de relance para a tela e franziu a testa imediatamente: — A mãe do Thiago? Vocês já estão divorciados. O que ela quer ligando para você agora?
Beatriz também não sabia, então não pretendia atender.

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