Tânia
Fui correr de manhã, e quando voltei, as pessoas me olhavam de maneira estranha.
Não precisava de magia para saber que a notícia de que o Alfa havia encontrado sua companheira predestinada já tinha se espalhado.
Léo não tentou esconder a atração entre ele e Amanda. Fiquei me perguntando se os membros da Matilha estavam felizes por saber que seu Alfa seria mais forte agora que havia encontrado sua companheira predestinada.
Me perguntei se eles estavam preocupados comigo, com a dor que eu teria de suportar, uma dor que, eventualmente, poderia me enlouquecer.
Honestamente, me perguntei de que lado eles estariam.
Corri entre os membros da Matilha e voltei para minha casa.
Léo estava tomando café da manhã. Eu não tinha falado com ele e não pretendia fazer isso, porque não tinha nada a dizer.
Fui para o quarto tomar um banho e me vestir para o dia; tínhamos uma reunião para participar juntos.
Por mais que eu preferisse não ir, havia prometido à Luna Alana que estaria lá.
Ela era a pessoa mais próxima que eu tinha de amiga, e eu suspeitava que minha vida logo seria parecida com a dela.
O marido de Alana, o Alfa Marco, encontrou sua companheira predestinada três anos atrás, e desde então viveram juntos.
Embora ela nunca tenha se aberto comigo sobre o que acontecia em sua casa, eu sabia que ela estava quebrada. Ele sempre ia às festas com sua companheira e deixava Alana sozinha.
Ela havia encontrado uma maneira de lidar com isso. Estava se saindo melhor do que Lívia, que estava na mesma situação de Alana, mas eu temia não conseguir me virar.
Tomei banho às pressas. Pela primeira vez, não passei tempo em frente ao espelho no banheiro para secar meu cabelo.
Eu não estava a fim de fazer esforço.
Embora Léo não gostasse de maquiagem nem de roupas reveladoras, eu tentei me arrumar, dadas as circunstâncias, mas já não estava mais afim de fazer isso. Amanda era bonita. Não havia como competir com ela, porque eles estavam destinados um ao outro.
Ela poderia ser a pessoa mais feia do mundo, e ele ainda a desejaria. O amor predestinado era assim, uma verdadeira bagunça.
No momento, em que entrei no quarto depois do meu banho, vi Léo sentado no sofá. Ignorei-o e fui procurar algo simples para vestir no armário.
Ele se aproximou de mim, me envolveu com os braços e beijou a marca no meu pescoço. Eu o empurrei para longe de mim.
— Não me toque depois do que você fez ontem à noite. — Falei entre os dentes, furiosa.
Ele tinha me humilhado completamente e mostrado total falta de autocontrole.
— Nós não fomos até o fim, Tânia. Eu quebrei isso. Eu me segurei. Por mais que meu corpo e meu lobo quisessem, eu me segurei. — Ele disse.
— Se segurar, como, você não colocou seu pau nela, mas fez tudo o que podia, é isso? — Perguntei, explicando o que ele queria dizer com "se segurar", e ele ficou em silêncio.
— Se vista. Temos uma reunião para ir. — Disse a ele, e ele se agarrou a mim.
— Foi transferida para essa noite. Por favor, me deixe pedir desculpas, Tânia. Me desculpe. — Ele disse, e eu sorri, olhando para ele.
— Não use essa palavra de forma leviana, Léo. “Desculpa” significa que você não vai fazer de novo, e eu sei que vai, então nem se dê ao trabalho. — Falei, e ele me abraçou mais forte. Eu podia sentir sua frustração.
— Por favor, Tânia. Isso não está sendo fácil para mim também. — Ele disse, com lágrimas se formando em seus olhos. — Eu me senti um idiota ontem à noite. Fiquei envergonhado. As pessoas me olhavam com nojo, e eu não podia culpá-las. Deixei a minha Luna sozinha e fui me beijar com uma estranha, só porque o destino quis assim. Eu não tinha a intenção de tocá-la. Eu queria dizer a ela que não ia dar certo. Eu queria correr o risco de ser fraco e rejeitá-la. Sim, vai me custar muito, mas eu ainda vou te ter. Eu estava bem com você sendo a minha força, Tânia, mas eu não consegui. Eu não consegui fazer isso, e ainda não consigo. Acordei hoje de manhã pensando que iria até a Matilha da Floresta Alba e a rejeitaria, mas eu não consigo. Não sei explicar por quê, porque esse sentimento é estranho para mim, mas eu não consigo, Tânia. Por favor, me ajude. — Ele disse e se ajoelhou, abraçando minhas pernas enquanto chorava.
— Eu não sei o que fazer, meu amor. Eu estou confuso. Devíamos ter ficado em casa, como você insistiu, mas eu tinha que honrar o convite do Cássio. — Ele disse e continuou a chorar.
Pelos anos em que eu conheci Léo, eu nunca o tinha visto chorar ou mostrar tanta vulnerabilidade e fraqueza. Ele estava perplexo. O destino havia bagunçado nossas vidas.
Contra o meu melhor julgamento, passei os dedos pelos seus cabelos para acalmá-lo, mas duvidei que o meu toque fosse suficiente novamente. Ele olhou para mim, se levantou e me abraçou contra seu peito.
— Eu vou encontrar uma forma, Tânia. Eu vou lutar contra isso. Eu vou me afastar dela. Por favor, Tânia. — Ele disse, fazendo promessas que eu sabia que ele não seria capaz de cumprir. Eu o abracei, sabendo que a minha vida feliz com ele tinha chegado ao fim.
Como nas histórias de outras Lunas que passaram por isso, eu tinha que encontrar uma maneira de fazer dar certo. Eu precisava preparar minha mente para compartilhá-lo com ela. Não havia como o lobo dele não querer ficar perto dela ou rejeitá-la.
Por mais disposta que eu estivesse a tentar, eu nunca mais poderia deixar ele me tocar, porque eu sabia que ele faria isso por obrigação, e não por amor. Nesse caso, eu preferiria ficar sem o toque dele, a que ele me tocasse por pena.
As outras mulheres chegaram, e percebi que estavam evitando o elefante na sala, Léo e Amanda. Eu respeitei e agradeci o autocontrole delas. Acabei dando uma abertura para elas conversarem comigo sobre isso, e elas sentiram pena de mim. A maioria delas realmente esperava que fosse só uma fase, mas outras, como Alana e Lívia, sabiam que aquilo era apenas o começo do fim para mim.
Logo nos juntamos aos nossos maridos.
Eu deveria ter ficado com os homens durante a reunião, porque era uma Luna guerreira, mas não queria ficar ao lado de Léo nem prestar mais ajuda.
Eu não era tola. Planejava me afastar gradualmente das minhas responsabilidades com a alcatéia. Não fazia mais sentido.
Percebi a troca sutil entre Alfa Ramos e meu marido, e não precisei adivinhar o motivo.
Depois da reunião, fomos para o estacionamento, onde Alfa Ramos nos abordou.
— Indo embora tão cedo, Alfa Léo? Ainda não terminamos nossa conversa. — Ele disse, olhando para mim com desdém.
— Você não pode mantê-lo, sabe? — Disse para mim, e Léo se enrijeceu.
— Deixe minha esposa fora disso. — Léo o advertiu, e ele riu.
— Mas ela está no meio disso, Léo. Você pode ser o Alfa mais poderoso dessa região, mas nós merecemos respeito. Você desonrou minha filha naquela festa e não a levou para casa. Isso é errado. — Ele disse, e Léo rosnou para ele.
— Nós nos beijamos. Só isso. Eu não dormi com ela. Não a f*di. — Disse, e Ramos o acertou com um soco. Honestamente, fiquei feliz por aquele soco. Era algo que eu queria ter feito na noite passada.
— Eu não me importo, Léo. Você perdeu o controle e rasgou o vestido dela. Agora, isso é tudo o que todos estão comentando. Você vai fazer a coisa honrosa e vir buscá-la da minha Matilha. — Ele exigiu, e Léo recusou.
— Você acha que eu queria isso para a minha Amanda? Ela fez faculdade de medicina. Eu tinha planos para ela. Ser amante de um Alfa não era isso,. — Ele disse com a voz trêmula. O homem também estava sofrendo.
— Luna Tânia é valiosa demais para você rejeitá-la, e você não vai querer perder parte de sua força de lobo rejeitando sua escolhida, então eu sei que você vai ficar com ela; também sei que não vai rejeitar sua predestinada pelo mesmo motivo. Venha buscá-la da minha Matilha e reivindique-a. Os três de vocês podem resolver isso a partir daí. Da próxima vez, não pedirei de forma tão educada. — Disse ele e se afastou.
Eu não consegui falar porque Ramos tinha me dado o quadro mais preciso da situação.
Caminhei sem vida até o carro e lutei contra minhas lágrimas.

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