— Senhor, a senhora voltou.
O homem que estava no andar superior ouviu a voz e deu uma olhada rápida pela janela de sacada para o piso inferior da mansão: uma mulher de corpo esguio descia de um carro e entrava na residência.
Quando Jéssica subiu, uma mão grande e forte a agarrou. Ela virou a cabeça; era Lucas.
Lucas geralmente não gostava de falar quando fazia esse tipo de coisa.
Ele a envolveu num abraço tão quente que o calor do seu corpo parecia capaz de derreter tudo ao redor.
Depois de um tempo, o calor residual se dissipou.
Jéssica olhou para as marcas e rugas no lençol deixadas pela intimidade entre nós, levantou-se com indiferença e pegou um frasco de pílulas anticoncepcionais para tomar.
A voz grave do homem disse: — Você não queria seu próprio filho? Não é como se eu não fosse te dar um.
Jéssica engoliu a pílula e disse.
— Você se esqueceu do dia em que sua amiga de infância chutou minha barriga com o bebê? Eu já te disse: se você ousasse assinar aquele acordo e perdoá-la, jamais teria outro filho seu.
As órbitas de Jéssica ficaram vermelhas.
Todas as lembranças dolorosas inundaram os seus pensamentos.
Há cinco anos, ela e Lucas se casaram. Ela achava que viveria feliz o resto de sua vida sob a proteção e o amor daquele homem.
Quem diria que, aos sete meses de gravidez, Roberta apareceria, chutaria a sua barriga com força e ela acabaria abortando e perdendo a criança.
Mas o que lhe causou mais dor foi o fato de que seu marido, Lucas, pediu que ela fosse generosa e perdoasse.
Ela nunca se esqueceria da frase de Lucas em que não dava para distinguir a emoção nem a intenção.
— A Roberta não fez isso de má intenção. Podemos ter outro filho, e ela não pode ir presa de forma alguma.
Roberta? Ele a chamava de forma tão carinhosa. Mas ela era a mulher que tinha tirado o bebê que eu carregava no ventre.
Jéssica entrou no quarto infantil e descobriu que a criança estava de pijama, mas não estava dormindo.
Estava sentada concentrada na frente da mesinha, segurando o celular, conversando por vídeo com alguém muito seriamente.
Nem percebeu que alguém entrou no quarto.
— Adilson?
Adilson ouviu, esticou a mãozinha imediatamente para fechar o vídeo e nem sequer virou a cabeça.
Jéssica foi até lá e abraçou a criança. Assim que lhe deu um beijo, a criança começou a chorar: — Não quero você como mamãe! Você não é minha mãe de verdade.
Jéssica ficou pasma e uma tristeza inexplicável invadiu o seu coração.
Aquela criança de fato não era seu filho biológico, mas Jéssica sempre a criou como se fosse e nunca lhe contou sobre a sua origem.
Como que depois de ela ficar apenas meia quinzena fora, a criança de repente dizia que ela era de mentira? Ainda a rejeitava daquele jeito e dizia que não a queria.

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