Jéssica, de início, se recusou categoricamente. Mas, enojada com a insistência dele ali, não respondeu ao pedido; apenas o olhou com desprezo: — Você está tão sujo, pode sair?
Lucas sentiu-se completamente desapontado. No entanto, logo pensou que, por ter acabado de se envolver com Roberta e ainda telefonado para Jéssica ouvir, qualquer pessoa sentiria nojo e acharia aquilo sujo.
Sem querer provocar emoções extremas nela, decidiu se afastar por alguns dias e saiu. De qualquer forma, ele estava machucado e, depois de tudo o que aconteceu, era compreensível que Jéssica o barrasse na porta.
Desde que Jéssica se acalmasse e lembrasse de que ele ainda era o homem que ela amava, Lucas acreditava que oito anos de amor não acabariam de uma hora para outra.
Dessa vez ele daria muito valor a Jéssica. Estava bastante confiante de que, se voltassem a ser como antes e Jéssica engravidasse de novo, faria com que ela esquecesse todas as tristezas, garantindo que nenhum acidente acontecesse com a criança.
Com isso em mente, pediu ao mordomo que arrumasse outro quarto. Ele também precisava descansar; muitas coisas tinham acontecido ultimamente.
Jéssica continuou trabalhando. Pouco depois, Dona Beatriz pediu que ela fosse instruir a babá sobre as restrições alimentares e os hábitos de Adilson.
Adilson havia sido alojado num canto do andar de cima. O Patriarca já havia organizado tudo; daquele momento em diante, Adilson não voltaria mais. Também enviaria alguém para tratar da transferência dele, tirando-o do jardim de infância internacional para matriculá-lo em uma creche num bairro afastado nas proximidades.
Por isso, havia muitas coisas para explicar.
Jéssica sentia-se como num sonho. A criança que ela cuidara com tanto amor subitamente tornara-se um bastardo, subitamente tornara-se uma ferramenta para a ascensão de Roberta e, repentinamente, virara uma vítima. Ela sentia certa culpa e pena pelo menino.
Assim que ela saiu pela porta, Adilson estava lá, apontando para uma bola de couro caída no andar de baixo.
— Mamãe, pode pegar pra mim?
Jéssica ficou surpresa. Desde que foi instigado por Roberta, o menino passou a chamá-la apenas de tia. Por que estava chamando-a de mãe de repente?
Algo em seu coração amoleceu.
Ela desceu apressadamente para pegar a bola. Quem imaginaria que, ao pisar no degrau de baixo, pisaria numa pequena bola de gude? Seu pé escorregou instantaneamente; o mundo girou e ela rolou direto escada abaixo.
A dor invadiu seu corpo inteiro em um instante. As lágrimas jorraram incontroláveis. Ao olhar para cima, em direção a Adilson, percebeu que ele não apenas não se preocupou com ela, como também exibia uma expressão de ódio.
— A mamãe disse que foi você quem fez o papai não me querer mais. Você é muito malvada. Sua bruxa, você devia morrer.
A voz infantil da criança ecoou.
Dona Beatriz, no entanto, negou imediatamente: — A babá disse que a Jéssica pisou em falso e caiu sozinha.
Jéssica chorou: — Foi o Adilson. Ele disse que a Roberta falou para ele que fui eu quem o deixou sem o pai, e ele se vingou de mim. Quero chamar a polícia. Vou chamar a polícia!
Porém, Dona Beatriz não concordou: — Pare de culpar os outros. Como uma criança teria tamanha maldade? Você não olhou por onde andava e caiu. A babá pode testemunhar.
Jéssica insistiu: — Eu quero chamar a polícia. Cadê meu celular? Vou chamar a polícia.
Ela tateou o próprio corpo por um bom tempo procurando o celular, mas não estava com ela; foi quando se lembrou de que o aparelho havia caído enquanto ela rolava pelas escadas.
Devido à dor e à preocupação extrema com as pernas, não o havia procurado de imediato.
Agora já era tarde. Um brilho sombrio passou pelos olhos de Dona Beatriz; não importava o que acontecesse, ela não permitiria que Jéssica ligasse para a polícia.
Primeiro, a identidade de Adilson era uma mancha, e o Patriarca não gostaria que o menino ficasse conhecido pelo público.

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