Jéssica ficou desacordada por um dia, enquanto tinha um pesadelo.
No sonho, corria como em sua infância, mas então notava suas pernas ficando cada vez mais transparentes, até sumirem.
Uma onda gigantesca de tristeza percorreu seu corpo.
O que a fazia derramar lágrimas, mesmo adormecida.
Parecia que ela já sabia dos resultados dos exames.
Suas pernas eram algo extremamente importante para ela, assim como para qualquer outra pessoa. Embora não tivesse uma boa condição familiar, nunca sentiu vergonha disso. Apesar de nunca ter conhecido seus pais, também não os odiava; afinal, haviam-lhe deixado um corpo saudável.
As suas pernas eram bonitas, e ela as amava muito.
Por favor, não...
Jéssica abriu os olhos e, na mesma hora, olhou para baixo. As pernas não tinham ficado transparentes, mas ela não conseguia senti-las; nem a temperatura, nem o toque. Sentimento nenhum.
Sentiu como se as suas pernas estivessem arruinadas.
Num arroubo de desespero, tentou se levantar, mas a forte dor em seu tórax a deteve; bastava um movimento para sentir o peito explodindo, cortando-lhe a respiração.
A sufocação tomou conta. Com os olhos abertos, deitada ali, as lágrimas de sofrimento caíam, enquanto soluçava ininterruptamente.
— As... as minhas... pernas...
Nicolas ouviu os soluços tristes, acompanhados da respiração forçada que soava como pulmões sendo rasgados, assim que chegou.
— Não se agite, Jéssica, seu peito está machucado. Respire devagar.
Apesar das palavras dele funcionarem, Jéssica estava sofrendo tanto que tremia. Seus olhos estavam vermelhos, o rosto molhado, e sua expressão parecia destroçada.
Ao ouvir o choro, Lucas, que acabara de sair da sala de curativos, entrou apressado e foi até a cama.
Nicolas tentava acalmar Jéssica. Ao ver a situação da esposa, Lucas ficou com o semblante ainda pior, consumido pela culpa.
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