Roberta, claro, estava irritada com isso, mas depois de ter seus cartões bloqueados por Lucas, ela sabia que não podia comprar nada.
E Otávio adquirira o vício do jogo no exterior e não tinha poupança. Para conseguir algum dinheiro, ela teria que vender as amadas bolsas de grife por preço de desapego, e cada uma vendida era uma a menos, muitas já esgotadas, das quais não se desfazia.
Ela não ousava confrontar Lucas de frente. Se Lucas saísse com raiva, quem pagaria a exorbitante conta do hospital?
Assim, a melhor solução que Roberta pensou para enfrentar a briga entre o pai e Lucas foi fingir que dormia. Fechou os olhos na cama de hospital, ignorando-os.
Contudo, em seu íntimo ela amaldiçoava Jéssica. Achava que Jéssica devia ter usado alguma magia para persuadir Lucas, não apenas a não tirar o médico dela, como também duvidar de suas palavras.
Ao escutar as palavras do professor, o rosto de Lucas ficou cada vez pior.
Ele contou que, no momento, Roberta não estava apta para cirurgia. Ela precisava eliminar a inflamação, limpar e drenar as feridas primeiro. Só após a inflamação acabar que ela poderia passar pela cirurgia. Caso contrário, haveria um alto risco de falha.
No entanto, o outro também disse que traumas desse tipo ocorriam com muitos atletas, especialmente naqueles que praticavam esportes radicais. Havia casos piores que os dela. Contanto que ela seguisse o plano de tratamento estabelecido, haveria uma grande probabilidade de a cirurgia dar certo.
Ao ouvir isso, como Lucas não ficaria furioso?
Pensando que fora usado por Otávio para levar o Dr. Dyson, e que quando veio até aqui não era uma cirurgia de emergência, e sim um tratamento dos ferimentos que levaria um tempo antes da cirurgia ser possível, Lucas se enfureceu.
Lucas sabia que Otávio definitivamente usaria várias desculpas para reter o médico. A intenção dele era retardar o tratamento de Jéssica.
Ele tinha feito algo que machucava Jéssica tanto por um motivo tão ridículo.
Ele logo sentiu vergonha.
Pediu aos guarda-costas que transferissem Roberta para o hospital privado de Henrique e se preparou para voltar para o lado de Jéssica. Ela com certeza precisava dele.
Talvez esse Sr. Valente fosse alguém associado aos seus pais.
Antes de morrer, a avó deixara uma sentença sem terminar de dizer. Falava que os seus pais também eram ricos. Esse era o sentido geral, possivelmente nada inferior aos Albuquerque.
Por isso a alertou de que ela era uma herdeira.
Jéssica investigou a própria origem, mas não encontrou anormalidades. Ela só sabia que ela e os seus pais haviam sofrido um acidente de carro no qual faleceram, e que, devido aos traumas e aos ferimentos que teve, esquecera tudo o que acontecera antes do acidente.
Foi por esse motivo que Jéssica queria tanto encontrá-lo, descobrir se ele estava ligado aos seus pais ou até descobrir quem eram por meio dele.
Vendo que o guarda-costas terminou a ligação, Jéssica levantou o rosto, indagando: — E então? O Sr. Valente quer me ver?

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