Dona Irene estava tão assustada que se sentia fraca, e só pôde concordar com a cabeça.
A farsa chegou ao fim.
Augusto pediu aos servos para servirem o melhor chá.
Nesse processo, ele também perguntou mais uma vez sobre a verdadeira identidade de Roberta.
Dona Irene deu uma resposta tão afirmativa quanto ao chamá-la de neta, dizendo: — Roberta é a órfã da minha pobre filha.
Augusto obviamente sabia quem era a filha a quem Dona Irene estava se referindo, mas por precaução, tinha que perguntar de novo: — Refere-se à sua filha, a primeira diretora-geral do Grupo Valente, Manuela Valente?
Dona Irene assentiu: — A mãe da Roberta morreu cedo e deixou uma enorme herança para ela. Ela só pode herdá-la quando fizer 27 anos, e o valor da herança dela é superior a todos os bens do Grupo Albuquerque somados.
Dona Beatriz, ao escutar isso, teve os olhos brilhando.
Antes, Dona Beatriz achava que Roberta era só a vadiazinha do Lucas.
Lucas nunca lhe disse que Roberta tinha uma história como aquela.
Se tivesse dito antes, Dona Beatriz jamais acharia que ela era só uma vadiazinha, e Adilson jamais seria considerado um bastardo.
Ela só acharia que Lucas era excepcional.
A reviravolta não era esperada por Augusto, também.
Ainda há pouco, ele sugerira forçar um aborto em Roberta, e agora que ela realmente estava ali, ele não ousava nem falar de sua promessa de arrancá-la ali e abortar na frente de Jéssica.
Mas, por ser alguém muito cauteloso, ele achou o assunto um tanto estranho.
No entanto, não é como se Augusto não soubesse que a filha de Manuela Valente continuava viva.
E ainda mais de seus grandes bens, que há muito gerava rumores entre eles. Porém, era difícil para ele acreditar. Com todo aquele poder e influência, qual a necessidade de Roberta atuar como a amante de Lucas?
Isso não era contraditório?
A velha senhora estava tão certa daquilo, e estava sentada na sua frente, então era impossível que fosse falso.
Seja como fosse, Augusto sentia que havia algo errado, mas não sabia o quê.
De qualquer forma, informações sobre a filha de Manuela sempre foram confidenciais, com pouquíssimas vazando para fora, sobre o nome ou idade. Ela pode ter mesmo crescido na família Valente como uma pessoa normal.
Augusto soltou um suspiro: — Agradeço pelo cuidado de Dona Irene, senão, essa garota jamais seria tão elegante e nobre.
Elegante e nobre?
— Conversar? Sobre o que quer conversar? — O fogo da raiva em Dona Irene se tornou incontrolável.
— Nossa Roberta é de classe e tem os bens, ela não perde para vocês em nada e, no casamento, nós os valorizaremos, então qual o sentido das suas palavras?
Augusto não queria expulsar Jéssica de primeira e já sabia do favoritismo de Lucas para com a amante, então sabia que a mulher conseguiria lidar melhor com ele. Mas se ela fosse Roberta, aquele favoritismo cego prejudicaria apenas os negócios do Grupo Albuquerque. Roberta não seria nada a não ser ser elevada por Lucas e o desfecho seria arruinar as empresas.
E, com aquele favoritismo e medo, ela o controlaria, e isso não era algo que Augusto gostaria de ver.
Porém, a gravidez de Roberta já era um fato, se ela fosse apenas uma amante qualquer ele sugeriria o aborto. Quem pensaria que ela seria uma Valente. A questão havia se tornado um pouco problemática. Enquanto ele refletia, Lucas tomou a palavra.
Ele disse rápido para Dona Irene: — Senhora, não vou mandar Jéssica ir embora, não faria essa desfeita.
Dona Irene encarou Lucas em silêncio. Como se não compreendesse algo.
Ela exalou decepção.
— O que está encenando, criança? Disse não fazer uma desfeita para ela, mas e com a Roberta? Quando brincou com ela para que me desse filho após filho, por que não pensou na desfeita?
— Você deve estar maluco, compreende qual é o local que está para falar essas baboseiras?
— E essa é minha última pergunta para você, a quem você verdadeiramente ama?

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