— Não se esqueça do nosso acordo, você também tem um pouco de memória e um pouco de sentimento por mim, tudo bem, não me deixe muito sozinho.
A voz dele era grave e rica, mas dava para perceber que seu coração estava prestes a se descontrolar.
Jéssica vivia assim, sem memórias.
E ainda o chamava de Sr. Valente, como se houvesse uma barreira entre eles, como se não se conhecessem.
Mas originalmente, eram uma família que cresceu junto, inocentes e com um profundo sentimento um pelo outro.
Ou até mesmo amigos de infância, não seria exagero dizer.
— Caleb. — Jéssica chamou levemente, um pouco envergonhada.
Porque Caleb Valente era apenas um ano mais velho que ela.
Embora sempre se chamasse de irmão, ela achava que era melhor chamá-lo assim.
Porque ela também sentia que estava errada, que não deveria tê-lo esquecido.
Muito menos deveria deixá-lo tão solitário; chamar assim dava uma sensação maior de intimidade.
— Hum!
A voz de Caleb Valente era grave e suave, e sua respiração quente, acompanhada por um beijo que quase a tocou, roçou levemente em sua testa.
— Soa tão bem, me chame de novo.
— Caleb!
Com medo de não suportar, Jéssica rapidamente se virou e se soltou do abraço dele.
Tirou um colar da bolsa ao lado e colocou silenciosamente na mão dele.
— Eu fiz este colar com as minhas próprias mãos para dar a você. Não vou deixar que carregue tudo isso sozinho.
Caleb Valente baixou os olhos e olhou para o colar prateado em sua mão.
No centro do colar havia um pingente Éden.
Nos olhos de Caleb Valente brilhou um brilho suave e intenso.
Adão e Eva provaram do fruto proibido, descobriram o amor, se casaram, fugiram do Jardim do Éden e tiveram filhos. Por isso, o pingente em formato de maçã não era mera coincidência: ele carregava uma mensagem velada.


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