— Um vídeo foi exibido no casamento. O estado dela na hora não parecia certo; olhando de longe, não me parece algo que ela faria em estado de lucidez.
Outro momento de silêncio. Esse silêncio foi mais longo que o anterior; o pêndulo bateu sete ou oito vezes antes que ele voltasse a falar.
A voz do idoso estava um pouco mais pesada do que antes, como se reprimisse uma fina camada de raiva.
Mas o tom continuou estável: — Investigue a situação. Você sabe o que precisa ser feito.
— Entendido. — O homem de meia-idade desligou o telefone.
Virou-se e saiu do salão de banquetes.
O vento noturno soprava pela viela dos fundos do hotel.
Ele ajeitou a gola da jaqueta e entrou no carro com a placa da Metrópole.
Ligou o motor e se fundiu com a noite.
Ao mesmo tempo, na capital, a milhares de quilômetros de distância, em um dos cômodos da ala leste de uma imensa mansão no estilo tradicional, um abajur antigo ainda estava aceso.
O idoso de cabelos brancos colocou o telefone de volta no gancho e bateu levemente os dedos duas vezes na mesa de jacarandá.
Em seguida, pegou outro telefone fixo vermelho e discou um número.
Ele não ligava para esse número há muitos anos.
Ninguém soube para quem aquela ligação foi feita, nem o que foi dito.
Mas naquela mesma noite, um certo escritório no Departamento de Segurança Pública Municipal ficou com as luzes acesas a noite toda.
Na delegacia, Roberta Fontana não sabia de nada disso.
Ela estava encolhida na cama dura.
A porta de ferro foi puxada com um estrondo, e uma luz branca e cegante invadiu o ambiente.
Roberta instintivamente levantou a mão para cobrir os olhos.
Duas policiais estavam paradas na porta. A expressão delas era diferente de quando a interrogaram antes.
Ela não sabia dizer exatamente onde estava a diferença, mas aquela postura tensa e analítica havia desaparecido.
Sendo substituída por uma cortesia profissional.
— Roberta Fontana, venha para fora.
Ela achou que fosse um interrogatório de rotina e foi caminhando de chinelos atrás delas.


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