Demorou um bom tempo até a chamada ser atendida do outro lado.
Assim que atendeu, Jéssica disse prontamente: — Lucas, estou em perigo. Chama a polícia para mim, meu endereço é...
Antes de terminar de falar, ouviu uma risada do outro lado da linha.
Era a voz de Roberta.
Jéssica apertou o celular com força.
Roberta disse aos risos: — Por que você ainda tá ligando pro Lucas? Não tem vergonha na cara, não?
Uma dor terrível tomou conta do peito de Jéssica, fazendo com que ela quase não conseguisse respirar.
Ela sabia que estava se divorciando de Lucas, mas cuidara dele por cinco anos. E agora, apenas por não ter outra saída, queria que ele a ajudasse e fizesse uma ligação para a polícia.
Lucas não só não atendeu, como deixou Roberta dispensá-la.
Jéssica respirou o ar frio e as lágrimas rolaram: — Senhorita Roberta, por favor, chame a polícia para mim. Eu estou realmente correndo perigo.
Roberta perguntou num tom de brincadeira: — Por que você mesma não liga? Como é que ainda tem tempo de assediar o Lucas e a mim pelo telefone? Você é mesmo hilária, fez isso de propósito, né? Fingindo que está em perigo para o Lucas ir cuidar de você? Desiste.
Do outro lado, Roberta deu uma risada de escárnio.
— Não é você que ele ama. Se tiver o mínimo de dignidade, não ligue mais pra gente.
Jéssica ainda tentou falar, mas Roberta desligou.
Jéssica olhou para o celular com os olhos embaçados pelas lágrimas. Na hora em que mais precisava, Lucas deixou que a amante zombasse dela, o que não era diferente de esfaqueá-la outra vez.
Escondida debaixo da cama, Jéssica ouviu o criminoso arrombar a porta.
Pelo barulho, o invasor causou alguns estragos aleatórios e veio direto para o quarto. O objetivo claramente não era roubo.
— Gracinha, fica com o papai que eu garanto que você vai gostar.
Ouvindo aquelas palavras nojentas, o coração de Jéssica disparou até a garganta.
Ela já estava sem ar, tomada pelo pânico, quando um barulho ensurdecedor ecoou, seguido por gritos de dor altos. Jéssica achou estranho, seria possível que...
Quando abriu a porta, viu vários homens musculosos vestidos de preto espancando aquele sujeito nojento de forma unilateral.
Até que o homem não conseguisse mais se mover.
Mais uma vez, a pessoa que sempre a protegia sem que ela soubesse quem era apareceu para salvá-la naquela noite.
— Sr. Valente, mas qual Sr. Valente?
Ela perguntou, encarando o guarda-costas.
Mas o guarda-costas não respondeu, como se jamais fosse revelar aquele segredo sem as instruções de seu patrão.
Neste momento, o guarda-costas terminou de ouvir as instruções do chefe e guardou o celular no bolso.
E então seu olhar afiado repousou como algo palpável sobre o homem no chão.
O homem percebeu o que estava acontecendo. Levantou-se apressado, ajoelhou-se diante de Jéssica e começou a implorar por misericórdia.
— Desculpa, por favor me perdoa. Eu não quero morrer. Desculpa, vai.
Jéssica tomou um susto.
Naquele dia ela já havia perdido a alma de tanto susto. Mas, de frente para os lamentos daquele homem, ela não se comoveu.
Sabia que, se aquelas pessoas não chegassem a tempo para salvá-la, a pessoa implorando ali seria ela.

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