Ele olhou para ela e esticou a mão para colocar atrás da orelha os fios de cabelo grudados pelo suor frio. As pontas dos dedos rasparam o rosto dela, carregando aquele toque seco e morno, costumeiro dele.
— Assustada?
Jéssica balançou a cabeça e depois assentiu, e finalmente admitiu honestamente: — Um pouco. Mas está tudo bem.
— Essas cenas serão raras no futuro. Nós voltaremos para o nosso país — ele olhou para ela, o olhar se mostrava especialmente intenso dentro da escuridão do carro.
O tom não era ameaça, nem aviso. Apenas uma afirmação calma.
— Você é minha. Ficar de olho em você significa ficar de olho em mim.
— Se eu não aniquilar o Bartoli hoje, amanhã outro idiota vai tentar alguma coisa.
Jéssica ficou em silêncio por alguns segundos, antes de levantar a cabeça para encará-lo nos olhos.
Lembrou-se da forma tão permissiva que ele disse "compre se gostar" no salão das pedras, da luz verde deslumbrante na mesa de corte, e dele encostado, ajeitando-a nos próprios braços. Não exibia nada, nem encenava; tratava-a, verdadeira e absolutamente, como se fizesse parte dele.
— Não estou com medo. — Ela disse.
Caleb olhou para ela por dois segundos e, de repente, sorriu.
Não era aquele sorriso indiferente, superior. Era um sorriso sincero, que vinha de dentro.
Ele a puxou para um abraço, com o queixo descansando no topo da cabeça dela. O peito vibrou levemente enquanto a voz saiu tão baixa, que pareceu falar apenas para ela ouvir:
— Certo. Vamos.
O comboio voltou a se mover e seguiu em direção à cidade no sopé da montanha, passando por cima dos cartuchos vazios espalhados e dos bandidos ajoelhados pedindo clemência.


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