Depois que a velha saiu.
O humor de Jéssica continuou frio.
A mente ainda balançava as mesmas palavras.
"A sua verdadeira noiva é infinitamente mais bonita do que essa aí, muito mais respeitável. Ela combina com o seu status, é íntegra e pura, e nutre uma admiração por você há muitos anos."
Jéssica perdeu na curiosidade e, aproveitando que Caleb saiu para pegar o telefone, buscou na internet a Diana Lancaster da qual Dona Irene falara.
Achou a visão cada vez mais amarga.
Diana era a herdeira da Família Lancaster, a família mais forte dentre os quatro clãs principais da Metrópole. Ela não apenas possuía origens de nobreza — vindo ao mundo segurando uma chave de ouro —, como sempre usufruiu da melhor educação de todas.
Sendo criada feito princesa, ela contava com uma trajetória de estudos muito superior à de Jéssica. De aulas em Viena aos colégios de ponta de Tóquio, finalizando os estudos em Londres. Ela desenvolveu competências nas mais diversas áreas. Chegou até mesmo a arrastar prêmios muito influentes de corridas de carros e badminton. E, não sendo o suficiente, mergulhava no mercado financeiro longe do amparo de sua família, arrematando lucros altos na bolsa americana. Era declarada a deusa das finanças.
Jéssica viu as fotos dela. Várias imagens das competições vazaram na internet, mas poucas mostravam ela com roupas casuais. A imagem transmitia altivez e nobreza.
Mulheres com aquele porte casavam perfeitamente com gigantes comerciais iguais a Caleb. Principalmente pela natureza predatória de ambos nos mundos dos investimentos.
Já Jéssica possuía apenas o brilho das telas e os teclados repletos de programação de jogos.
Jéssica experimentou um tipo de tristeza sem bordas.
De repente, um braço envolveu a nuca de Jéssica sem aviso prévio.
Ela assustou e nem teve a chance de gritar antes que seus lábios fossem selados.
O calor se misturou com a fragrância já familiar.
Era Caleb.

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