— O que foi?
Jéssica subiu as escadas.
Viu que na sala de jantar, além de Lucas e Adilson, havia uma mulher sentada.
Era Roberta mesmo. Naquele instante, Jéssica entendeu por que Dona Nair estava com aquela expressão preocupada.
Embora Dona Nair fosse a babá contratada por Lucas, ela e Jéssica conviviam há muitos anos e tinham uma boa relação.
Os pais de Jéssica faleceram quando ela era muito nova, e ela foi criada pela avó. Jéssica sempre respeitou mulheres mais velhas com a idade de sua mãe, como Dona Nair, e a babá, naturalmente, também a tratava muito bem.
Principalmente nos dias após o aborto espontâneo, em que ela buscava formas de nutri-la todos os dias.
Dona Nair também sabia muito bem que Roberta era a culpada por Jéssica ter perdido o bebê.
Por isso, quando Jéssica voltou de repente, Dona Nair demonstrou preocupação.
No entanto, a expressão de Jéssica continuava serena.
Naquele momento, Adilson, sentado ao lado de Roberta e segurando a barra da roupa dela, na verdade nem queria chamá-la de mãe ao ver Jéssica aparecer.
Mas a mãe Roberta havia dito na frente do pai que ele precisava continuar chamando essa mulher de mãe, e se ele não o fizesse, essa falsa mãe ficaria triste.
O pai também tinha dito isso.
Adilson não teve escolha a não ser falar de forma contida: — Mãe. Por que você veio, você não vai ficar no meu pé e no do pai para nos impedir de brincar com a tia Roberta, né?
O coração de Jéssica sentiu uma dor aguda.
Este era o menino que ela havia criado e cuidado com tanta dedicação por anos?
Ao vê-la voltar, ele não demonstrou nenhum sinal de boas-vindas e ainda segurava com força a roupa da mulher ao lado que a prejudicara.
Roberta, com o olhar cheio de escárnio e triunfo, consolava Adilson: — Não vai, Adilson, não tenha medo. Sua mãe Jéssica não é uma mulher mesquinha. Ela sabe que você gosta de brincar comigo, não vai impedir nada, né, Jéssica?
Ao ouvir essas palavras, Jéssica sentiu uma dor lenta e constante que a consumia por dentro.
Era óbvio que Roberta, a amante, havia invadido sua casa se aproveitando de sua ausência.
Substituindo-a descaradamente, sentando-se na cadeira da anfitriã e jantando com seu marido e filho.
Mas Lucas puxou sua mão à força: — Saia daqui, vamos comer juntos.
Ela se soltou da mão de Lucas: — Não vou. Eu já disse, estou cansada e com sono.
Ela explodiu e gritou com raiva.
O rosto de Lucas não mostrava a menor compreensão por ela. Apenas frieza. Ele a avaliou, como se não soubesse que ela ainda conseguia ficar com raiva.
Antes, Jéssica sempre mostrava um temperamento dócil e compreensivo na frente dele.
Mesmo ao perder a criança, ela apenas chorava, chorava e chorava.
Sua única irritação foi apenas dizer que nunca mais teria um filho dele.
Ele sorriu com indiferença: — Quero que a Roberta fique em casa cuidando da criança por um tempo. Já que você não sabe cuidar bem dele mesmo, aproveite para aprender como ela faz.
Jéssica quase vomitou ao ouvir isso.
Ela cuidava de Adilson com todo o carinho possível. Depois de perder seu bebê, derramou todo o amor de mãe que tinha dentro de si sobre ele. Ela atendia a todos os seus pedidos, mimando-o de todas as formas. Exceto quando ia para o exterior a trabalho, ela dava tudo de si. Mas, aos olhos de Lucas, ela não o criava bem e não cuidava o suficiente.

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