Jessica empurrou Charles, abaixando a cabeça enquanto sua voz tremia em meio às lágrimas. “Talvez... a gente devesse terminar.”
O rosto dele ficou imediatamente sério, seus olhos afiados foram se estreitando como os de um falcão. Ele segurou o queixo dela com uma das mãos e o ergueu, sua voz era profunda e firme:
“O que você disse? Repete!”
As lágrimas ainda brilhavam nos olhos dela tão puras, tão frágeis, mas ele não estava com humor para ser gentil.
“Eu... eu disse que talvez a gente não devesse mais ficar junto. Talvez seja melhor terminar.”
O olhar de Charles escureceu, perigoso, com um lampejo de raiva. Ele perguntou friamente: “Quer terminar assim, do nada? Por quê? Aconteceu alguma coisa?”
“Eu...” As emoções que ela vinha segurando explodiram de repente. Ela afastou a mão dele e o encarou com os olhos cheios de lágrimas. “Não quero que você me veja quando eu enlouquecer. Não é motivo suficiente?”
Minha mãe matou o Ford durante um de seus surtos. Isso me apavora só de pensar. E se eu perder o controle também? E se eu machucar as pessoas que amo?
Charles mordeu os lábios e ficou em silêncio por um momento.
Então se sentou ao lado dela e segurou seu rosto com as duas mãos, olhando-a profundamente nos olhos disse: “Olha pra mim. Me diz você enlouqueceu?”
“Não ”
“Mas eu sim!”, ele a interrompeu de repente.
Jessica o encarou, confusa e chocada. Ele continuou: “Se você disser de novo que quer terminar, aí sim eu vou enlouquecer de verdade!”
O coração dela se contorceu de dor, um turbilhão de sentimentos estavam a consumindo. As lágrimas voltaram a cair, rompendo o que restava de sua resistência.
“Então o que você quer que eu faça? Não quero te machucar! Não quero perder o controle e acabar indo atrás de você com uma faca...” A voz dela tremia, interrupta pelos soluços.
“Vi minha mãe hoje. Achei que ela tinha sido mandada para fora do país pra se tratar, mas ela está trancada aqui, na Mansão Nielsen! Ela usava um vestido branco e estava tão magra que parecia um fantasma. Depois do surto, ela nem reconheceu o Jim e jogou uma garrafa nele...”
Ela contou tudo o que havia acontecido naquele dia, seus medos, e toda a dor que carregava por dentro.
A expressão fria de Charles se desfez, dando lugar a uma tristeza profunda.
“Jim disse que tentaram vários médicos, mas nenhum conseguiu curá-la. Essa doença não tem cura...” Ela ergueu o rosto molhado de lágrimas e engasgou no choro: “O que você quer que eu faça? Além de terminar, eu...”
“Não se preocupe com o que ainda não aconteceu. Já estou procurando médicos. Não vou deixar nada de ruim acontecer com você.”
“Eu te disse os Nielsens tentaram de tudo com a minha mãe, mas ninguém conseguiu curá-la.” Essa dura verdade a esmagava.
“É diferente. Ela já tem surtos, o tratamento é mais difícil. Mas você ainda está bem. Se for cuidadosa e evitar os gatilhos, tudo vai dar certo.”
As palavras dele faziam sentido, o suficiente para acalmar um pouco o medo e a tristeza dela.
Com relutância, ela afastou a mão e passou o dedo pelos traços marcantes dele, dos olhos ao nariz e depois aos lábios, com um olhar cheio de melancolia.
“Se... se um dia eu realmente enlouquecer como a minha mãe, você tem que me internar num hospital psiquiátrico.” Ela não queria ser um fardo. Seu maior medo era que ele a visse perder o controle.
Charles apertou novamente a mão dela, sua voz era firme e segura: “Isso nunca vai acontecer. Você precisa confiar em mim.”
A confiança dele era poderosa. Ela tinha que admitir só ele conseguia fazê-la se sentir segura.
De repente, ela ergueu o rosto e deu um beijo suave em seus lábios, depois sussurrou: “Eu acredito em você.” Fora ele, ela não sabia em quem mais poderia confiar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Pai Bilionário do Meu Filho
Muito bom, porém em algum momento começam a trocar os nomes do personagens e aí fica tudo muito confuso e difícil de acompanhar, e eu esperava mais do final, uma história tão cheia de detalhes mas com um final simples demais!...