O rosto de Charles manteve-se impassível, e sua voz era cortante como gelo. — Só estou te devolvendo na mesma moeda.
As palavras atingiram Jessica como um choque gelado. Um calafrio percorreu sua espinha, e ela sentiu a alma murchar.
O homem à sua frente parecia um completo estranho. Por um momento, ela se perguntou se algum dia o conheceu de verdade.
Mas no fundo, uma voz insistia — isso não pode ser real. Ele não é assim.
Ela reuniu as forças que ainda tinha e tentou uma última vez, mais para se convencer do que por ele. — Foi tudo encenação, não foi? Esse casamento... você não pode me dizer a verdade?
Charles levantou os olhos. O olhar sereno que lançou foi como um tapa silencioso, deixando Jessica à beira do desespero.
Ele enxergou a esperança que ainda tremeluzia dentro dela — e, por dentro, odiou ser quem teria que apagá-la.
— Você viu a certidão de casamento, não viu? Acha mesmo que eu falsificaria um documento oficial só para te enganar? — Sua voz era firme. — E nos últimos dois anos, quem esteve ao meu lado foi a Samantha. Não tenho motivos para decepcioná-la.
Foi como se o chão sumisse sob os pés de Jessica. A última centelha de esperança morreu ali.
Então era verdade.
Samantha sempre estivera ao lado dele, como assistente, confidente... e agora, esposa. O vestido de noiva, o anel, o altar — tudo que era para ser seu, agora pertencia a outra.
A dor a atravessava como uma lâmina. Ela inclinou a cabeça para trás, tentando conter as lágrimas.
— Entendi. — A voz dela mal saiu. — Então é isso. Acabou.
Ela respirou fundo, tentando se recompor.
— A partir de hoje, cada um segue seu caminho. Eu vou esquecer você. Já não tenho mais nada para segurar.
Charles apertou os lábios ao ver as lágrimas que escapavam. Por um instante, quase se aproximou para enxugá-las. Mas se conteve.
— Jim! — Jessica chamou com firmeza.
A porta se abriu quase no mesmo instante. Jim entrou, atento.
— Jess, o que foi? Você tá chorando?
Vendo o rosto dela coberto de lágrimas, ele se virou para Charles e avançou. Agarrou-o pelo colarinho e, com o punho fechado, rosnou:
— Seu desgraçado! Fez ela chorar de novo?
Jessica, no entanto, interveio:
— Não!
O punho de Jim ficou suspenso no ar. Charles não se mexeu; não tentou se defender.
— Ainda quer protegê-lo? Depois do que ele fez com você? — Jim cuspiu, furioso.
Jessica fechou os olhos e, entre lágrimas, murmurou:
— Me tira daqui, Jim... Eu não aguento mais esse lugar.
Ele não disse que dependia dos sequestradores, nem que o antídoto ainda não existia. Ela não precisava desse peso.
Jessica o encarou, os olhos mergulhados em vazio.
— Então é por isso que quer me manter aqui.
Charles assentiu.
— Você ainda não está fora de perigo.
Ela riu sem humor, com amargura na voz.
— Você me odeia tanto... por que se importa se eu vivo ou morro?
Ele desviou o olhar, depois respondeu, firme:
— Porque você é a mãe do meu filho. Não vou deixar ele crescer sem uma mãe.
O coração de Jessica apertou. Então era só isso.
Por causa do filho dele.
— Se depender de você, prefiro morrer lá fora do que apodrecer aqui dentro ao seu lado. — Sua voz saiu fria, vazia. — Mesmo que a morte me espere lá fora, é melhor do que ficar aqui, te vendo todos os dias.
E dessa vez, ela não estava só ferida. Estava decidida. Ela havia desistido de vez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Pai Bilionário do Meu Filho
Muito bom, porém em algum momento começam a trocar os nomes do personagens e aí fica tudo muito confuso e difícil de acompanhar, e eu esperava mais do final, uma história tão cheia de detalhes mas com um final simples demais!...