— A verdade é que não vim apenas a trabalho. É que Fofo e Neko não paravam de aprontar em casa. — Marcelo disse.
— Logo no dia seguinte em que você viajou, o Neko quase destruiu o meu escritório, e o Fofo estava tão agitado quanto ele. Eu confesso que não estava dando conta de cuidar dos dois sozinho.
Ele fez uma pausa e olhou para Bianca.
— Então, resolvi trazê-los de uma vez por todas, porque imaginei que ficariam muito mais tranquilos ao seu lado.
Era uma justificativa perfeitamente lógica e plausível.
Um CEO implacável, atolado de trabalho e enlouquecendo com as traquinagens de dois animais de estimação, precisando recorrer desesperadamente à dona deles para acalmar as coisas. Embora parecesse um tanto humilhante, fazia todo o sentido do mundo.
Quanto a ter mentido sobre estar lá por causa de negócios... muito provavelmente fora apenas por culpa do miserável orgulho masculino que se recusava a admitir a incapacidade de controlar dois pequenos pets.
Ao observar aquela raríssima expressão de vulnerabilidade no rosto dele, e ao olhar de relance para os dois "filhotes" comportados no quarto lá fora, Bianca custou a acreditar. Como duas criaturinhas tão obedientes poderiam dar tanto trabalho a ele?
Será que Neko era, na verdade, um diabinho disfarçado sob a aparência de um anjo?
Será que o ar de cachorro bobo de Fofo era pura fachada?
Até que não parecia totalmente impossível.
— Então quer dizer que você nem chegou a sair para trabalhar de manhã, não é? — O tom de Bianca já havia se suavizado consideravelmente.
Marcelo coçou a ponta do nariz e admitiu a contragosto:
— Pois é, não saí... Passei a manhã inteira correndo atrás deles no parquinho para pets do hotel e, de tarde, enfrentei outra batalha épica para dar banho nos dois.
E tudo isso não deixava de ser a mais pura verdade.
Bianca imaginou a cena em sua cabeça.
O frio e imponente Senhor Amaral entrando em pânico por causa de um gato e um cachorro, fazendo uma bagunça completa no parquinho e na sala de banho pet... Era uma imagem cômica demais; ela precisou se esforçar muito para não cair na gargalhada.
Ele só fora atrás dela porque realmente não estava conseguindo lidar com Neko e Fofo.
Essa desculpa era muito mais crível do que a ideia de ele ter viajado apenas para matar a saudade. Fazia muito mais sentido dentro de tudo o que ela sabia sobre ele.
Parece que o inatingível e invencível Marcelo também tinha lá os seus momentos mais comuns, como qualquer mortal.

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