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O Preço do Amor romance Capítulo 105

— A verdade é que não vim apenas a trabalho. É que Fofo e Neko não paravam de aprontar em casa. — Marcelo disse.

— Logo no dia seguinte em que você viajou, o Neko quase destruiu o meu escritório, e o Fofo estava tão agitado quanto ele. Eu confesso que não estava dando conta de cuidar dos dois sozinho.

Ele fez uma pausa e olhou para Bianca.

— Então, resolvi trazê-los de uma vez por todas, porque imaginei que ficariam muito mais tranquilos ao seu lado.

Era uma justificativa perfeitamente lógica e plausível.

Um CEO implacável, atolado de trabalho e enlouquecendo com as traquinagens de dois animais de estimação, precisando recorrer desesperadamente à dona deles para acalmar as coisas. Embora parecesse um tanto humilhante, fazia todo o sentido do mundo.

Quanto a ter mentido sobre estar lá por causa de negócios... muito provavelmente fora apenas por culpa do miserável orgulho masculino que se recusava a admitir a incapacidade de controlar dois pequenos pets.

Ao observar aquela raríssima expressão de vulnerabilidade no rosto dele, e ao olhar de relance para os dois "filhotes" comportados no quarto lá fora, Bianca custou a acreditar. Como duas criaturinhas tão obedientes poderiam dar tanto trabalho a ele?

Será que Neko era, na verdade, um diabinho disfarçado sob a aparência de um anjo?

Será que o ar de cachorro bobo de Fofo era pura fachada?

Até que não parecia totalmente impossível.

— Então quer dizer que você nem chegou a sair para trabalhar de manhã, não é? — O tom de Bianca já havia se suavizado consideravelmente.

Marcelo coçou a ponta do nariz e admitiu a contragosto:

— Pois é, não saí... Passei a manhã inteira correndo atrás deles no parquinho para pets do hotel e, de tarde, enfrentei outra batalha épica para dar banho nos dois.

E tudo isso não deixava de ser a mais pura verdade.

Bianca imaginou a cena em sua cabeça.

O frio e imponente Senhor Amaral entrando em pânico por causa de um gato e um cachorro, fazendo uma bagunça completa no parquinho e na sala de banho pet... Era uma imagem cômica demais; ela precisou se esforçar muito para não cair na gargalhada.

Ele só fora atrás dela porque realmente não estava conseguindo lidar com Neko e Fofo.

Essa desculpa era muito mais crível do que a ideia de ele ter viajado apenas para matar a saudade. Fazia muito mais sentido dentro de tudo o que ela sabia sobre ele.

Parece que o inatingível e invencível Marcelo também tinha lá os seus momentos mais comuns, como qualquer mortal.

— O Senhor Duarte é muito profissional e sabe manter a distância necessária durante o trabalho. — Ela acrescentou, na intenção de tranquilizá-lo.

— Entendo. Que bom. — Marcelo balançou a cabeça em sinal de aprovação e não se aprofundou mais no assunto.

Ele fechou o cardápio e continuou:

— Vamos saborear a culinária local, então. Eu conheço um restaurante tradicional e muito bom. A comida lá é extremamente autêntica, e o ambiente é calmo e agradável. Fica bem perto daqui, podemos ir a pé.

— Combinado.

O jantar foi marcado para as dezenove e trinta.

Eles vestiram roupas adequadas e prepararam-se para sair.

Ao sair, Marcelo segurou a mão de Bianca da forma mais natural possível.

Todo esse tempo de convívio constante, até mesmo dormindo na mesma cama, havia feito com que Bianca se acostumasse cada vez mais aos toques de Marcelo.

Ainda assim, o simples ato de andar de mãos dadas em público ainda fazia o coração dela acelerar levemente.

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