Envolta naquele cobertor quente e calçando as pantufas macias, Bianca deveria estar sentindo calor, mas seu coração gelou repentinamente sem motivo aparente.
Ela olhou para o rosto de Marcelo a centímetros de distância. Ele estava concentrado, ajustando as bordas do cobertor para ela.
Se fosse outra pessoa ocupando o lugar de senhora Amaral, ele agiria da mesma forma, não é?
O que existia entre eles era um acordo.
Ele lhe proporcionava uma vida confortável, resolvia os problemas dela e cumpria as obrigações de um marido. Toda aquela atenção minuciosa existia apenas porque ela era a senhora Amaral, por causa daquele acordo.
Era ela mesma quem, com a convivência diária, havia borrado os limites e alimentado uma ganância e uma dependência indevidas.
Se um dia ele retirasse todos esses privilégios e bondades, o que seria dela?
Ela não suportaria.
Ela não queria que isso acontecesse.
Ela não podia permitir-se tornar uma mulher que só desejava ser amada por ele e que dependia exclusivamente do que ele oferecia.
Ela precisava ter a própria carreira, a própria vida, a própria força.
— O que foi? — Marcelo perguntou em voz baixa. — Ficou tonta por ter ficado muito tempo na água?
Bianca queria perguntar se tudo o que ele fazia por ela era apenas por causa do acordo.
Mas ela não podia perguntar.
Perguntar seria ultrapassar os limites, seria buscar humilhação.
— Estou um pouco cansada. Quero deitar mais cedo. — Bianca abaixou a cabeça, evitando o olhar questionador dele, com a voz ligeiramente abafada.
Nívea, também enrolada no roupão, estava encostada em Fabiano, deixando que ele secasse seu cabelo com uma toalha. Ao ouvir isso, ela ergueu os olhos e alternou o olhar entre Bianca e Marcelo.
— Se está cansada, vá descansar primeiro. O Renato já organizou os quartos. — Ela olhou para Renato.
— Isso mesmo, já está tudo arrumado. Fica logo atrás deste pátio, um chalé privativo com a melhor vista. — Renato se apressou em dizer. — Nós vamos jogar cartas daqui a pouco. Se a Bianca estiver cansada, posso pedir para alguém levá-la aos aposentos.
— Sim, obrigada, Renato. — Bianca assentiu com a cabeça, ainda sem olhar para Marcelo.
As sobrancelhas de Marcelo se franziram.
Sua garota não estava bem emocionalmente.


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