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O Preço do Amor romance Capítulo 144

Ficar perdendo o sono por uma resposta desconhecida seria muita estupidez.

Ao mesmo tempo, ela se perguntou: o que ela poderia fazer por ele?

— Sr. Amaral, você tem feito tanto por mim, mas eu sinto que não fiz nada por você. Nem sequer sei direito como ser uma boa esposa.

Ela levantou a cabeça, com um olhar muito sério: — Pode me dizer? Como posso cumprir melhor as minhas obrigações como esposa? Quero ser melhor para você, caso contrário, sinto que não mereço tudo o que você me dá e não consigo ficar em paz.

Bianca se sentia apavorada quando recebia algo em excesso, pois tinha recebido muito pouco afeto desde a infância.

Ela ainda não havia aprendido a aceitar tranquilamente ser amada, ser cuidada, e que as coisas lhe fossem dadas sem reservas.

Ela usava a própria lógica de trocas justas, de direitos e deveres para medir seus relacionamentos.

Foram as experiências passadas, a sua família de origem e as relações afetivas desiguais do passado que moldaram esse seu modo de pensar.

Mudanças exigem tempo.

E Marcelo tinha paciência de sobra.

— Bianca, primeiro de tudo, preciso corrigir um erro na sua forma de pensar.

— Hum?

— Sou dez anos mais velho que você. — Ele falou lentamente. — Em um casamento, a parte mais velha já sai naturalmente com vantagem em experiência, maturidade e conexões sociais. Então, para que teriam servido esses dez anos da minha vida se eu não conseguisse nem oferecer os meios, organizar os recursos nem servir de base para você se impulsionar?

Ele pausou e, olhando para os olhos levemente arregalados de Bianca, continuou com um tom perfeitamente sério: — Senão, eu seria apenas um homem mais velho aproveitando-se de uma garotinha, não é mesmo?

Bianca riu dessa autodepreciação repentina dele.

— Ninguém fala assim de si mesmo.

— Eu estou falando de fatos. Por isso, te oferecer essas coisas não é caridade, não é um favor. É o mínimo e indispensável que eu, como o homem mais velho deste casamento, devo e preciso oferecer. Você aceitar isso é apenas me ajudar a cumprir minhas responsabilidades matrimoniais e a parecer menos com um cafajeste, entende?

— Que lógica distorcida. — Bianca fungou, com um sorriso já despontando no olhar.

Ele queria que ela o tratasse como seu marido, um parceiro em pé de igualdade, em quem pudesse confiar, expressar suas emoções e, até mesmo, com quem não precisasse ser tão cerimoniosa.

— Como quer que eu te chame? — Bianca devolveu a pergunta.

Parecia que Marcelo estava apenas esperando que ela perguntasse isso.

Ele se inclinou ligeiramente para a frente, apoiou os cotovelos nos joelhos, entrelaçou as mãos e a encarou no mesmo nível. Sua expressão era tão séria que parecia estar discutindo uma importante decisão de negócios.

— Podemos fazer uma lista de opções e analisar os prós e os contras de cada uma. — Ele começou a falar com muita calma.

— Uma lista? — Bianca achou aquilo inusitado.

— Sim. Primeiro, descartamos 'Sr. Amaral'. — Marcelo levantou um dedo, num tom inquestionável.

— Essa opção traz um ar muito forte de subordinação e relação empregatícia. Não condiz com o nosso atual posicionamento como marido e mulher e não ajuda a construir um relacionamento íntimo e igualitário. Rejeitado.

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