Marcelo trabalhava muito e sempre teve o sono leve. Ela não queria atrapalhar o descanso dele, já que ficava acordada até tarde desenhando e levantava com frequência.
Desde o começo eles dormiam separados, então voltar para essa rotina era perfeitamente compreensível.
— Sim, por favor — Bianca concordou com um aceno. — Leve minhas coisas de volta para o meu quarto antigo, vou dormir lá a partir de hoje.
— Vai se mudar esta noite? — O tom de Marcelo soou um pouco ansioso.
— Sim, não tenho muita coisa, vai ser rápido de arrumar. — Bianca não percebeu a sutil mudança no tom dele. — Obrigada pela ajuda, Graziela.
— Não precisa agradecer, senhora, é o meu trabalho. — Graziela assentiu.
Marcelo observou o perfil sereno de Bianca e engoliu as palavras que estavam na ponta da língua.
Ele queria dizer que ela não precisava se mudar, que poderia continuar no quarto principal.
Mas ela já havia tomado a decisão e a considerava a coisa mais natural do mundo, então ele, de repente, não soube como argumentar.
Questionar o motivo da mudança? Ou simplesmente ordenar que ela ficasse?
Nenhuma das opções parecia adequada.
Em silêncio, ele observou Graziela começar a recolher os pertences de Bianca espalhados pelo quarto.
Bianca, por sua vez, foi tomar banho e vestiu o pijama. Quando Graziela terminou de arrumar tudo, ela pegou seu travesseiro e caminhou em direção ao quarto que originalmente era seu.
Ao passar pela porta do quarto principal, ela parou e olhou para Marcelo, que ainda estava encostado ali.
— Marcelo, estou indo. Boa noite. — Ela sorriu para ele.
— Boa noite. — Marcelo ouviu a própria voz soar um tanto áspera.
Bianca assentiu, segurou o travesseiro com mais firmeza, entrou no quarto ao lado e fechou a porta atrás de si.
O trinco estalou, confirmando que a porta estava trancada.
Marcelo continuou parado ali, encarando a porta fechada, sem se mover por um longo tempo.
Um aperto incômodo tomou conta de seu peito.
Ela simplesmente foi embora.
Sem hesitar, de forma rápida e decisiva.
Parecia que todas as noites que dividiram a mesma cama, dormindo abraçados, todos os toques íntimos e momentos de carinho, haviam sido reduzidos a nada com a partida de Davi.
Marcelo fechou os olhos por um instante e voltou para o quarto principal.
O ambiente parecia ainda guardar o perfume suave dela.
Ele tomou um banho e deitou-se.
A cama parecia enorme, vazia demais.

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