O baú não era grande, com cerca de trinta centímetros de lado. Tinha o formato de um antigo estojo de maquiagem, equipado com um fecho de bronze e um cadeado de segredo. A pintura vermelha estava descascada, revelando as marcas do tempo.
Gustavo trouxe o baú e o colocou no chão, sem coragem de encarar Bianca nos olhos.
— Aqui está. Nós não mexemos em nada, e também não conseguimos abrir.
Bianca se aproximou, abaixando-se para pegar o baú.
Como esperado, era muito leve.
Ela não voltou a olhar nem para Gustavo nem para Beatriz. Segurando o baú contra o peito, ela saiu às pressas do quintal e desapareceu na esquina.
— Sidney, volte para o hospital, e vá mais rápido, por favor — disse Bianca a Sidney, ao voltar para o carro.
— Sim, senhora.
O carro voltou para a rodovia.
Bianca segurava aquele leve baú de mogno, mas não sentia o menor alívio em seu coração.
A avó havia pedido especificamente por aquele baú. O que será que havia dentro dele?
Ela tentou girar o cadeado, que tinha uma combinação de três dígitos.
Ela não sabia a senha.
Só lhe restava esperar para perguntar à avó quando a visse.
Mais de duas horas depois, o carro chegou ao Hospital Real Português.
Bianca, agarrada ao baú, correu até a ala da UTI.
Marcelo ainda não havia voltado; parecia que os assuntos da empresa ainda não estavam resolvidos.
— Enfermeira, sou neta da Lúcia. Eu trouxe o que ela pediu. Posso entrar para vê-la? Só um instante, apenas para mostrar isso a ela — disse Bianca ao encontrar a enfermeira.
— A paciente acabou de acordar e o quadro dela é estável. Vista a roupa de isolamento e entre, mas dê apenas uma olhada e saia logo — suspirou a enfermeira, após olhar para o baú velho e sujo nos braços da moça e para o seu olhar ansioso e suplicante.
— Certo, obrigada, muito obrigada, enfermeira — agradeceu Bianca repetidas vezes, vestindo-se rapidamente e, agarrada ao baú, entrando na UTI novamente com passos leves.
— Vó, vovó, sou eu, Bianca. Eu trouxe o baú — sussurrou ela perto do ouvido da avó, após se aproximar da cama e se inclinar.

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