— Caramba... Será que o homem com quem a Bianca Correia se casou é o Senhor Duarte?
— É bem provável! Senão, por que o Senhor Duarte seria tão dedicado a ela? E vocês não repararam? O tratamento que o Senhor Duarte dá à Bianca é pra lá de especial. Tudo que é bom vai para ela primeiro: leva nas viagens de negócios, dá os melhores projetos, aprova as folgas sem pestanejar...
— Mas a Bianca nunca revelou quem é o marido.
— Se o marido é o chefe direto, espalhar isso pela empresa só atrairia inveja. A Glória Sampaio vive alfinetando a Bianca, direta ou indiretamente, e mal sabia ela que a outra seria a futura dona da empresa!
— Psiu, falem baixo! Mas, parando para pensar, a Bianca soube jogar muito bem. Conquistou o herdeiro sem fazer alarde. A futura patroa da Vertice Construtora, que status... Será que, a partir de agora, teremos que chamá-la de Senhora Duarte quando a encontrarmos?
— Isso só quando eles assumirem publicamente, né? Mas, pelo jeito do Senhor Duarte, não deve demorar muito para isso acontecer.
— O diretor implacável se apaixonou por mim, casamento secreto no escritório... Essa é a novela do ano!
— No entanto — interveio uma voz um pouco mais sensata —, e se o marido da Bianca não for o Senhor Duarte, mas outra pessoa?
— Nem me fale... Aí já seria muita falta de ética.
As fofocas na copa fervilhavam cada vez mais, com as funcionárias começando a fantasiar diversas versões da história.
Bianca ouvia tudo, com um leve sorriso no canto dos lábios.
Ela finalmente estava testemunhando o verdadeiro poder dos boatos.
Enquanto hesitava entre entrar para interrompê-las ou sair de fininho, uma voz carregada de ressentimento soou de repente às suas costas.
— Ora, ora, Bianca, bisbilhotando atrás da porta? Ouvir todo mundo elogiando seus truques deve estar enchendo seu ego de orgulho, não é?
Bianca virou-se.
Glória estava parada atrás dela com os braços cruzados, um sorriso cínico no rosto e um olhar gélido.
O burburinho na copa parou de uma hora para outra.
— Acompanhar a avó, é? — Glória arrastou as palavras e soltou uma risada de escárnio. — Então por que o seu marido não foi fazer companhia, e sim o nosso Senhor Duarte, que ficou de prontidão, servindo até cafezinho?
Ela deu um passo à frente, baixando a voz com uma zombaria maldosa.
— Bianca, você é cheia das artimanhas. Já é casada e ainda fica enrolando o Senhor Duarte? Ou será que você está apenas brincando com os sentimentos dele, mantendo um pé em cada canoa?
O olhar de Bianca congelou.
— Glória, se você é infeliz, deveria focar em consertar a sua própria vida em vez de bisbilhotar a dos outros. Essa sua curiosidade não vai melhorar a sua situação miserável de forma alguma.
O rosto de Glória ficou lívido e seus lábios tremeram de raiva. Ela fuzilou Bianca com os olhos, querendo rebater, mas foi calada pela calma e indiferença no olhar da outra, que parecia enxergar através de sua alma.
Era verdade, ela era infeliz.
Felipe Amaral andava cada vez mais ocupado, voltando para casa cada vez mais tarde. Mesmo quando estava presente, mantinha-se calado. O olhar que ele lhe lançava já não possuía a paixão de antes.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Preço do Amor