Ela não tinha a menor ideia de que estava revelando um segredo que tinha sido meticulosamente escondido.
— Sofrer um ataque terrorista e um acidente de carro num país estrangeiro... ele estar a salvo já é um milagre, a recuperação leva tempo. Um homem como ele, se não estivesse completamente imobilizado, com certeza já teria pegado um voo de volta para ficar do seu lado.
Tlim.
A pequena colher de prata escapou das mãos de Bianca e caiu no chão, produzindo um tilintar metálico.
O sorriso dela desapareceu no mesmo instante.
Suas pupilas se contraíram ligeiramente, como se não tivessem entendido o que Nívea acabara de falar.
Ataque terrorista.
Acidente de carro.
Completamente imobilizado.
Assim que terminou de falar, Nívea percebeu que parecia ter dito algo que não devia.
Ao ver o rosto pálido de Bianca e sua expressão petrificada, o coração de Nívea falhou uma batida. Ela cobriu a boca com as mãos, mortificada.
— Bianca, você não sabia? — A voz de Nívea saiu trêmula, carregada de culpa e apreensão — O Marcelo não te contou? Eu achei que...
Ela realmente achava que Bianca sabia e por isso tinha oferecido aquelas palavras de conforto agora há pouco.
Afinal, como uma esposa poderia não saber que o marido havia passado por algo tão terrível no exterior?
Mas a julgar pela reação de Bianca agora...
Nívea queria voltar no tempo e tirar tudo o que tinha acabado de falar.
Devagar, muito lentamente, Bianca se curvou e pegou a colher de prata que havia caído no chão.
Seus movimentos eram vagarosos, como se a colher pesasse uma tonelada.
Ela colocou a colher ao lado do pires, pegou um guardanapo e limpou os dedos.
— Eu... eu sabia sim. — Bianca ergueu a cabeça e forçou um sorriso para Nívea.
Era um sorriso frágil, superficial e contido.
Mas, ao olhar para os olhos dela que haviam perdido todo o brilho de repente, Nívea sentiu um aperto ainda maior no peito.

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