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O Preço do Amor romance Capítulo 241

A luz amarelada contornava seu corpo com um brilho suave, mas não conseguia disfarçar aquela solidão.

Afinal, ela não era a única que continuava acordada.

Não era a única a ser consumida por aquele turbilhão de emoções complexas.

Ele também estava assim.

Mesmo machucado, ele permanecia de pé sob o vento gélido da madrugada, usando aquela teimosia para lhe fazer companhia na insônia e na angústia.

Será que ele também estava arrependido?

O vento noturno pareceu soprar com mais força, fazendo as folhas das árvores do quintal farfalharem.

Bianca notou que Marcelo vacilou levemente; ele ergueu a mão direita, que estava ilesa, e pressionou o ombro esquerdo, bem perto de onde começava o gesso.

Ele com certeza não estava se sentindo bem.

Bianca até podia estar brava com ele e querer brigar.

Mas não conseguia ficar parada vendo ele passar a noite toda no frio, ferido assim.

E se os ferimentos piorassem? E se ele pegasse uma pneumonia?

Seu corpo já estava debilitado pelos machucados, muito mais vulnerável que o normal.

Bianca não conseguiu mais ficar parada.

Sem sequer calçar os chinelos, ela saiu correndo do quarto, descendo as escadas descalça e apressada.

Apenas uma meia-luz iluminava a sala de estar; Patrícia já havia ido dormir.

Pisando levemente, Bianca atravessou a sala, correu até o hall de entrada e abriu a porta da frente de uma vez.

O vento gelado da madrugada, carregado de umidade, atingiu seu rosto no mesmo instante, fazendo-a estremecer.

Ela nem se importou com o fato de estar usando apenas uma camisola fina; descalça, correu pelo quintal até o portão fechado e, com os dedos trêmulos, apertou o botão para destrancar.

O portão se abriu lentamente para dentro.

Do lado de fora, sob a luz do poste, Marcelo foi pego de surpresa. Ele hesitou por um segundo, desviando o olhar da janela dela para focar em Bianca, que havia aparecido de repente.

Ela vestia uma camisola de tom claro, com os cabelos longos e bagunçados caindo sobre os ombros. Estava descalça sobre o piso de pedra gelado, enquanto a barra da camisola esvoaçava levemente com o vento noturno.

Bianca apertou os lábios, deu as costas e caminhou na frente, em direção à casa.

Após dar dois passos e notar que ele não a seguia, parou, olhou por cima do ombro e disse:

— E como vamos conversar com esse frio aqui fora?

Só então Marcelo começou a andar, seguindo-a para dentro do quintal.

Bianca fechou o portão atrás de si.

Os dois atravessaram o jardim em silêncio, um atrás do outro, e entraram na casa.

O ar quente do interior os envolveu imediatamente, espantando o gelo da noite.

Bianca acendeu a luz principal, foi até o sofá, pegou uma manta fina e se enrolou nela de qualquer jeito. Em seguida, sentou-se na extremidade mais distante do sofá, abraçando os joelhos e se encolhendo como uma bola.

Marcelo entrou logo depois, mas não se sentou de imediato.

Ele ficou de pé na outra ponta do sofá, observando Bianca se apertar debaixo da manta, deixando apenas o topo da cabeça de fora, com o olhar perdido em outra direção, numa clara postura de quem se recusava a dialogar.

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