— Que horas são? — ela esfregou os olhos, a voz carregada de sono.
— É cedo ainda, cinco e quarenta. Durma mais um pouco. — Marcelo inclinou-se e beijou-lhe a testa. — Vou me arrumar e já saio.
Bianca balançou a cabeça e apoiou-se para sentar:
— Eu acompanho você.
— Não precisa, volte a dormir. Eu me viro sozinho. — Marcelo a segurou de leve.
— Eu levo você até a porta. — Bianca insistiu, afastando as cobertas e saindo da cama para ajudar Marcelo a se vestir.
Bianca examinou o gesso de Marcelo, certificando-se de que não havia afrouxado ou causado desconforto devido aos "exercícios" da noite anterior.
— Está doendo? Sente algum incômodo? — ela perguntou, com o olhar cheio de preocupação.
— Não dói, está ótimo. — Marcelo moveu o braço de leve e sorriu para ela. — Não sou tão frágil assim.
Bianca revirou os olhos, sem paciência para as gracinhas dele.
Os dois desceram as escadas na ponta dos pés.
A sala de estar estava em absoluto silêncio. Patrícia e a avó ainda não haviam acordado.
Bianca foi até o hall de entrada, pegou os sapatos de Marcelo na sapateira e abaixou-se, com a intenção de ajudá-lo a calçá-los.
— Eu mesmo coloco. — Marcelo a impediu, apoiando-se na parede com uma mão enquanto calçava os sapatos.
A cena era um tanto desajeitada e, ao mesmo tempo, um pouco engraçada.
Bianca observou o esforço dele para calçar os sapatos com uma só mão e não conseguiu evitar um sorriso contido.
Marcelo terminou de se calçar, endireitou o corpo e olhou para ela.
— Estou indo.
— Uhum, cuidado na rua e dirija devagar. — Bianca recomendou.
Marcelo assentiu com a cabeça e estendeu o braço, querendo abraçá-la.
Bianca aproximou-se rapidamente e deu-lhe um beijo no canto dos lábios.
— Vá logo, senão a vovó acorda já, já.
Só então Marcelo se deu por satisfeito. Ele abriu a porta e esgueirou-se para fora.
Bianca ficou na porta, observando-o atravessar o jardim a passos largos, abrir o portão e desaparecer na luz da manhã que começava a clarear.


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