— Obrigada. — Bianca abaixou a mão e voltou a olhar o celular.
O aplicativo mostrava que ainda havia dez pessoas na fila de espera à sua frente.
O clima voltou a mergulhar num silêncio constrangedor.
— Deixa que eu te dou uma carona. — ofereceu Otávio, num tom solícito. — Tem um festival de música aqui perto hoje, vai ser difícil conseguir carro. Como você não está se sentindo bem, é melhor não ficar esperando tanto para não piorar a dor de cabeça.
Ao dizer isso, fez um sinal em direção ao seu discreto sedã preto estacionado do outro lado. O motorista entendeu o recado e começou a conduzir o carro até eles.
— Não precisa, Senhor Duarte. O meu carro já está chegando. — recusou Bianca educadamente, com os olhos fixos na tela do celular, sem olhá-lo.
— Bianca. — A voz de Otávio baixou alguns tons, carregada de suplício. — Mesmo que não possamos ter aquele tipo de relacionamento, ainda somos colegas de trabalho, somos amigos. Oferecer uma carona é apenas um gesto de cuidado, não há segunda intenção nisso. Você não precisa ficar na defensiva comigo.
Bianca finalmente ergueu o olhar e o fitou.
— Senhor Duarte. — começou Bianca, articulando cada palavra de forma nítida. — Eu não estou na defensiva. Apenas acredito que manter a devida distância é o melhor para nós dois. O senhor é o diretor da empresa, meu chefe; qualquer outra coisa além disso é desnecessária.
Sua entonação ao dizer "desnecessária" foi leve, porém firme.
Otávio viu a indiferença e a frieza sinceras naqueles olhos claros, e a tristeza que havia reprimido por tanto tempo subitamente veio à tona.
Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles.
— Bianca, você me odeia tanto assim?
Sua voz saiu rouca, os olhos atrás das lentes vidrados nela.
— Até uma carona minha é um fardo para você? O que o Marcelo tem de tão especial? Ele é dez anos mais velho, já está velho! Tudo o que ele pode te oferecer, eu também posso, e até mais. Por que você não olha para mim?
Ele enfim abandonara a fachada de cavalheiro refinado; havia uma agitação incontrolável em seu tom de cobrança.
— Senhor Duarte. — Bianca recuou meio passo, restabelecendo a distância. — Eu não o odeio, mas também não gosto do senhor. Segundo: se o meu marido é bom ou não, é um assunto exclusivamente meu. Não preciso dar satisfação a ninguém, sem contar que acho que ele é um homem excelente. E, por fim...

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