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O Preço do Amor romance Capítulo 5

Uma semana depois, os dois se encontraram no cartório.

O processo foi rápido.

Fotos tiradas, assinaturas recolhidas, documentos carimbados. Quando pegou a certidão de casamento e viu os nomes deles lado a lado, Bianca sentiu como se estivesse em um transe.

— Vamos ao seu apartamento, vou te ajudar com a mudança. — A voz de Marcelo soou ao seu lado.

Só então a ficha de Bianca realmente caiu: ela e Marcelo estavam casados. A partir daquele momento, morariam juntos e compartilhariam a mais íntima convivência, mesmo sem ela saber quase nada sobre ele.

Onde ele morava, quais eram os seus hábitos, do que gostava ou desgostava... ela não tinha a menor ideia de nada disso.

O motorista seguiu o caminho em total silêncio. Bianca e Marcelo sentaram-se no banco de trás, mantendo a distância de um braço entre eles.

— Este é o Alan, um dos meus assistentes. Se precisar de qualquer coisa no futuro, pode falar diretamente com ele. — Marcelo apontou para o homem no banco do passageiro.

— Olá, senhora. — Alan virou-se para trás e acenou com a cabeça respeitosamente.

Bianca respondeu com um murmúrio, um pouco sem graça.

O seu apartamento ficava num casarão antigo reformado, de três andares, com as paredes externas cobertas por trepadeiras.

— Eu moro no terceiro andar. — disse Bianca ao sair do carro.

Marcelo também desceu e pediu para Alan esperá-los lá embaixo.

O corredor era estreito e as luzes com sensor de movimento se acendiam ao som dos passos. Bianca pegou as chaves para abrir a porta, sentindo claramente a presença de Marcelo apenas meio passo atrás de si.

A aura dele a envolvia, trazendo consigo um aroma refrescante de cedro.

Ao abrir a porta, o pequeno estúdio de uns trinta, quarenta metros quadrados revelou-se um ambiente acolhedor e refinado. Um sofá bege, uma estante de madeira clara e paredes decoradas com aquarelas e esboços de design.

Do lado de fora das portas de vidro voltadas para o sul, havia uma pequena sacada onde algumas roupas recém-lavadas estavam penduradas no varal, além de alguns conjuntos de lingerie de renda pendurados ali. Na mesma hora, o rosto de Bianca esquentou.

Ela caminhou apressadamente para tentar recolher o varal, mas Marcelo segurou o seu pulso.

— Deixa que eu pego.

Marcelo esticou os braços para recolher as roupas. Com seus dedos longos e bem desenhados, retirou cuidadosamente aqueles tecidos macios.

Lingeries e pijamas foram dobrados peça por peça e colocados num cesto de vime ao lado.

— Está com pena de jogar fora? — Parecendo perceber a alteração de humor dela, Marcelo se aproximou.

— Não. Só acho tudo isso um pouco ridículo. — Bianca balançou a cabeça.

— Ridículo por quê?

— Ridículo porque, um dia, eu realmente achei que conseguiria superar a barreira social com o amor verdadeiro daquele que era o dono desse cachecol. No fim das contas, foi tudo uma grande ilusão. — Bianca deu um sorriso autodepreciativo.

Ela virou o rosto e começou a guardar o resto das suas coisas.

Roupas, livros, materiais de desenho, maquiagens.

Ela não tinha muito, então não demorou para que tudo coubesse em duas malas e uma caixa de papelão.

— Não precisa fazer nada. Eu volto para pegar o resto. — Marcelo dobrou as mangas da camisa, pegou a mala mais pesada com uma mão e a caixa de papelão com a outra.

Bianca quase disse que conseguiria carregar as coisas sozinha, mas Marcelo já caminhava em direção à porta.

Aquele homem, que até hoje de manhã não passava de uma lenda inalcançável do mundo dos negócios, o inatingível líder da Família Amaral com quem ela jamais sonharia se relacionar, agora era o seu marido e o seu carregador de mudanças.

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