Após o término da reunião, Marcelo massageou as têmporas e abaixou-se para recolher a caneta-tinteiro, a xícara de café, a almofada e os vários brinquedos de pet que Neko havia derrubado no chão.
Neko aproximou-se, esfregando a cabeça na mão dele, com seus olhos azuis claros e inocentes, como se não fosse ele quem tivesse feito toda aquela bagunça há pouco.
Tudo bem, ser animado é bom. Quem sabe assim ele consiga deixar sua dona um pouco mais animada também.
Marcelo consolou a si mesmo.
Ao entardecer, ele seguiu as instruções de Bianca e foi colocar ração e trocar a água de Neko.
Neko seguia cada um de seus passos.
Ao chegar perto da caixa de areia, o gato acelerou de repente, correu para a estufa e, sob o olhar atento de Marcelo, pulou no suporte de plantas perto da janela.
Ali estavam alguns vasos de orquídeas que Bianca cultivava com muito esmero.
— Neko, desça. — Marcelo falou com voz grave.
Neko virou a cabeça para olhá-lo, com o rabo empinado lá no alto, e então, esticou a pata e deu um tapinha nas folhas de uma das orquídeas.
O vaso de orquídea, que não era muito pesado, inclinou-se com o toque, prestes a cair.
Marcelo deu um salto rápido para a frente e conseguiu segurar o vaso um milissegundo antes que ele se espatifasse no chão.
Neko já havia saltado agilmente do suporte de plantas e estava agachado não muito longe, tombando a cabeça para encará-lo.
Marcelo olhou para a orquídea salva em seus braços e depois para o gato com aquela cara de quem não tinha nada a ver com o assunto. Só então se deu conta de que, quando Bianca disse que o gato dela era muito bonzinho, provavelmente estava usando um filtro com dez camadas de ilusão.
Esse gato era muito travesso.
Não parecia nem um pouco com a dona dele.
À noite, Marcelo estava sentado no sofá respondendo e-mails, com Fofo deitado a seus pés.
Neko deu uma volta pela sala como se inspecionasse seu território e, em seguida, pulou no sofá. Primeiro, amassou pãozinho ao lado de Marcelo como quem não quer nada e, ao ver que não seria expulso, abusou da sorte e enfiou-se inteiro no colo dele.
Marcelo respondia aos e-mails com uma das mãos, enquanto usava a outra para acariciar os pelos longos, macios e quentinhos do gato em seu colo.
O toque era muito bom.
Fazia-o lembrar dos cabelos de uma certa pessoa, que também eram macios daquele jeito.
Neko era realmente adorável quando estava quietinho.
Idêntico à sua dona.
Ele abaixou a cabeça, observando a expressão relaxada de Neko dormindo, e os cantos de seus lábios se curvaram ligeiramente para cima.
Tudo bem, por causa dessa semelhança, ele poderia tolerar suas pequenas travessuras.

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