O tom de voz de Maurício era de extrema impaciência.
— Não sei que chilique é esse, mas não tenho tempo para me preocupar com você agora. A Amandinha acabou de voltar, não conseguiu se aclimatar, e machucou o pé recentemente. Tudo que eu quero agora é cuidar dela, então é melhor você ficar quietinha e não tentar me irritar.
— E mais uma coisa, durma com quem você quiser. Duvido muito que alguém não se importe de ficar com uma mulher de segunda mão como você. Lia, se você for boazinha, eu posso deixar você na posição de Senhora Montenegro por mais um tempo, para você não passar vergonha.
— É melhor você me escutar. Caso contrário, eu não hesitarei em usar outros métodos.
Após as ameaças, a chamada foi encerrada.
Tu-tu-tu—
O som parecia acompanhar as batidas do coração de Lia, que por um breve instante, parecia ter parado.
Pelo visto, aos olhos de Maurício, ela não passava de alguém indigno e patético.
A mão de Lia escorregou lentamente.
Já que não era possível conversar civilizadamente com ele, a única saída seria apelar para os meios legais.
Para pôr um fim àquele casamento desprovido de qualquer sentimento.
Toc, toc, toc...
As batidas na porta interromperam o fluxo de seus pensamentos.
Ela se levantou, foi até a porta e olhou pelo olho mágico.
Ao ver quem era, seu corpo enrijeceu involuntariamente.
— Senhorita, sou eu.
Com a voz do homem, Lia soltou um longo suspiro de alívio e abriu a porta.
O homem aparentava ter cerca de cinquenta anos, vestia um terno preto impecável e tinha um semblante extremamente experiente e profissional.
Ao olhar para Lia, um sorriso afetuoso estampou-se em seu rosto.
— Há quanto tempo, Senhor Lima.
Desde que ela havia teimado em se casar com Maurício, os dois não se viam há cinco anos.
O Senhor Lima sorriu.
— Não vai me convidar para entrar?
Com esse lembrete, Lia imediatamente deu passagem.
Na sala de estar, os dois sentaram-se frente a frente.

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