(Ponto de Vista de Ethan)
Desci as escadas do armazém abandonado, com meus passos ecoando pelo concreto, enquanto a iluminação fraca projetava sombras longas pelo chão e revelava a cena diante de mim.
Minha equipe de segurança tinha cumprido o trabalho com eficiência, talvez até em excesso:
De joelhos no meio do salão, Darius Reed mal parecia reconhecível: o rosto estava em carne viva, um dos olhos fechado pelo inchaço, e os lábios abertos em cortes profundos. O sangue fluía do nariz, respingando no chão frio abaixo dele.
— Rei Alfa... — Disse Maxwell, adiantando-se com um aceno respeitoso. — Nós o encontramos tentando empenhar o pingente em uma loja no Riacho das Sombras.
Aproximei-me de Darius lentamente, sem tirar de cima dele o peso do meu olhar âmbar. Ao perceber, ele se encolheu, com o corpo inteiro tremendo de medo.
— Por favor… — Murmurou, com a voz falha e o sangue borbulhando entre os lábios. — Eu não sabia que ela era sua companheira, juro!
Passei a rodeá-lo como um predador cercando a presa ferida.
— Conte-me o que aconteceu.
Darius engoliu em seco, contorcendo-se de dor até com esse gesto simples.
— Foi só um assalto, eu juro. Eu só queria dinheiro…
— Você quer me convencer de que essa é a razão para ter brutalizado uma mulher inocente a ponto de quase tirá-la a vida? — Perguntei, com a voz baixa e perigosa.
— Ela não queria entregar o colar! — Protestou, com os olhos avermelhados percorrendo o ambiente em busca de uma saída. — Aquela mulher estava obcecada por ele...
Assim que ouvi a palavra "obcecada", uma fúria primitiva tomou conta de mim e, sem pensar, chutei o maxilar dele com brutalidade, ouvindo o estalo de dentes quebrando ressoar pelo armazém no mesmo instante em que Darius desabava cuspindo sangue.
— Nunca mais ouse chamá-la de louca! — Rosnei, erguendo-me sobre a forma encolhida dele.
Para minha surpresa, Maxwell também avançou e acertou um chute nas costelas do miserável, com o semblante normalmente contido agora distorcido pela raiva.
— Isso é pelo insulto contra a Luna Winters! — Disse, friamente.
Darius se encolheu ainda mais, soluçando em súplica.
— Perdão, eu imploro... O colar ainda está comigo, levem-no!
Com as mãos trêmulas, ele puxou do bolso o colar de cristal de Lily, cujo brilho tênue revelava as cinzas acinzentadas que repousavam em seu interior.
— Nem vale tanto assim… — Resmungou, sem compreender o valor do que tinha roubado. — Não sei por que ela lutou tanto por isso.
— Eu juro que não queria machucá-la daquele jeito. — Insistiu entre choramingos. — Mas ela simplesmente não queria soltar!
Guardei o pingente no bolso, com a decisão já tomada.


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