— Ethan! — Gritei, com a voz se partindo em uma emoção cuidadosamente ensaiada. — Algo terrível aconteceu com Emma! Ela foi atacada no centro de treinamento!
— O quê? — A voz de Ethan soou aguda de preocupação. — Ela está bem?
— Eu não sei. — Soluçei. — Ela está com dor, e estou levando-a agora mesmo para o centro médico…
— Vou encontrá-la lá. — Respondeu de imediato. — Já estou no Abrigo Médico do Bando Crista de Prata e vou deixar o Dr. Jonathan Rivers de prontidão.
Encerrei a ligação, sentindo a satisfação percorrer minhas veias… "Ethan havia largado tudo por Emma… Por nós!"
No caminho para o centro médico, ergui os olhos para o retrovisor e avistei Olivia Winters próxima à entrada, e logo compreendi que era a oportunidade perfeita, porque ela testemunharia de imediato a preocupação de Ethan por Emma.
Foi então que notei o empalidecer de Olivia ao ver Ethan avançando depressa até o nosso carro, com o rosto tomado por inquietação, e sua loba se retraiu ainda mais quando ela se afastou, escolhendo o caminho que levava à Piscina da Reflexão ao Luar.
"Cada parte do meu plano se desenrolava com precisão impecável!"
-
(Ponto de Vista de Ethan)
Andei ansioso do lado de fora do Abrigo Médico do Bando Crista de Prata, com meu lobo inquieto sob a pele. Ao lado, o Dr. Jonathan Rivers e sua equipe já estavam preparados, aguardando a chegada de Emma.
No instante em que o veículo de Victoria estacionou, um medo lancinante acelerou meu coração, obrigando-me a correr até ele. Ao alcançá-lo, vi Emma com o rostinho marcado pela dor, e percebi que o ferimento havia apagado toda a sua vitalidade costumeira.
— Papai… — Ela gemeu, estendendo as mãos trêmulas para mim.
Ergui-a com cuidado do carro e a acolhi contra o peito.
— Estou aqui, Emmy. Vai ficar tudo bem.
Victoria vinha logo atrás, com o rosto manchado de lágrimas.
— Eles a atacaram, Ethan. Aqueles filhotes disseram coisas horríveis para ela!
Assim que entrei com Emma nos braços, sob o rosnado protetor do meu lobo, o Dr. Rivers tomou a dianteira e nos conduziu rapidamente a uma sala de exames.
— O que aconteceu? — Perguntou, já apalpando com cuidado a lateral de Emma.
— Ela acabou levando um chute no baço… — Explicou Victoria, com a voz embargada. — De alguns outros filhotes no centro de treinamento.
A expressão do Dr. Rivers se fechou enquanto concluía o exame.
— O baço dela corre risco de rompimento, e só uma transfusão imediata pode estabilizá-la.
Senti o sangue gelar.
— Faça o que for necessário.
Enquanto a equipe médica se organizava para o procedimento, sentei-me ao lado de Emma, segurando firme sua pequena mão, e Victoria tomou a cadeira do outro lado, sem desgrudar os olhos da filha.
— Está doendo, papai… — Emma sussurrou, finalmente deixando que as lágrimas corressem pelo rosto.
— Eu sei, querida. — Murmurei, afastando os fios de cabelo de sua testa. — Mas o Dr. Rivers vai melhorar isso.
De repente, o rostinho dela se contraiu e as emoções transbordam como uma represa rompendo.
— Eles disseram que eu sou uma bastarda, e que a mamãe não passa de uma destruidora de lares!
Sentei-me à beira da Piscina da Reflexão ao Luar, com os olhos percorrendo a superfície da água em busca de qualquer sinal do Pingente de Cristal das Cinzas de Lily. Ele estava em algum lugar sob aquelas águas escuras, guardando tudo o que me restava de minha filha…
Deslizei os dedos pelo vazio no meu pescoço, sentindo que a ausência do pingente ecoava a mesma lacuna dentro de mim. Foi então que passos acelerados ecoaram, e, ao levantar os olhos, avistei Lily Crawford, a curandeira, correndo com uma bolsa de sangue em direção ao centro médico, onde, ao que parecia, realizariam a transfusão de Emma.
Ao passar, percebi o rótulo na bolsa: Tipo B.
E algo despertou em minha memória, uma lembrança distante do meu treinamento como curandeira da matilha, já que os tipos sanguíneos seguiam padrões específicos de herança.
Assim, levantei-me rápido, e minha loba se manteve alerta apesar do costume de se recolher.
— Com licença, curandeira Crawford?
A jovem parou, surpresa.
— Luna Winters? Posso ajudá-la?
— Esse sangue… — Apontei para a bolsa. — É tipo B?
— Sim. — Respondeu, confusa com o meu interesse. — É para a transfusão da Emma Frost.
— Entendi. — Murmurei, com a mente acelerada. — Obrigada.
Logo, ela prosseguiu seu caminho, deixando-me ali parada com uma realização perturbadora se formando em meus pensamentos:
"Eu sabia que o tipo sanguíneo de Ethan era A e que o de Victoria era O, portanto, segundo a genética básica, eles jamais poderiam ter uma filha com sangue do tipo B…
O que significava que Emma não podia ser filha biológica de Ethan!"

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