O olhar frio de Ethan se fixou em Olivia, como se a culpasse por aquela reviravolta, mas minha futura neta manteve-se ereta, com a dignidade intacta apesar de tudo o que havia suportado.
-
(Ponto de Vista de Olivia)
Os aposentos privados da matriarca Evelyn eram quentes e acolhedores, em nítido contraste com a formalidade gélida do Salão Ancestral da família Stone, e a velha loba movia-se com surpreendente graça ao me servir chá de Fruta da Lua e carne de veado, justamente os meus pratos favoritos.
— Você deveria se alimentar melhor, querida… — Insistiu, com os olhos bondosos, mas também preocupados. — Pois está magra demais.
Dei uma pequena mordida no veado, saboreando o gosto intenso.
— Obrigada pelo jantar, Matriarca. E por… Todo o resto.
Ela afastou meu agradecimento com um gesto.
— Eu deveria ter tomado essa atitude há muito tempo, já que aquela Victoria sempre exerceu influência desmedida sobre meu neto.
Bebi um gole do chá, sem saber como responder, porque os problemas de memória da matriarca Evelyn a faziam esquecer, às vezes, que Lily tinha morrido e que Ethan e eu estávamos afastados havia anos.
— Como está minha bisneta? — Perguntou de repente, confirmando meus receios. — Lily deve estar tão crescida agora…
A dor me atravessou o peito.
— Ela… Ela está em paz, Matriarca.
O entendimento brilhou nos olhos da velha loba.
— Ah, sim. Perdoe-me, criança. Alguns dias são mais claros que outros.
Terminamos a refeição em um silêncio confortável e, quando me preparei para sair, a matriarca Evelyn apertou minha mão.
— Lembre-se de quem você é, Olivia. A verdadeira força de uma Luna vem de dentro, não do seu Alfa.
Assenti, tocada pela sabedoria e pelo apoio dela. Enquanto atravessava o corredor em direção à saída, as vozes vindas do escritório de Ethan chamaram minha atenção.
— Vou acrescentar Emma ao registro da família Stone amanhã. — Comentou Ethan. — Afinal, ela merece ocupar o lugar que lhe pertence em nossa linhagem.
Meus passos vacilaram, pois minha audição lupina captara cada palavra com clareza. Emma receberia um privilégio que havia sido negado a Lily, minha doce filha, que realmente carregava sangue Stone…
Logo, minha loba uivou em silêncio, tomada pela angústia daquela traição final, porque Lily morrera sem jamais ser oficialmente reconhecida como parte da família Stone, enquanto Emma, que eu já suspeitava nem ser filha biológica de Ethan, receberia total legitimidade.
A injustiça queimava como fogo em minhas veias, aprofundando meu ressentimento contra Emma e fortalecendo minha determinação de revelar a verdade sobre sua origem.
Assim, endireitei os ombros e segui caminhando. "Muito em breve, a verdade viria à tona…"
-
(Ponto de Vista de Victoria)
Ethan me levou de volta ao Recanto Matarrosa em silêncio, com seu lobo incomumente distante, e, quando chegamos à entrada da propriedade, ele parou o carro, mas não desligou o motor.
O motorista da matilha me deixou em Bosque de Ipês com a expressão cuidadosamente neutra, pois ser oficialmente adotada pela Matriarca já mudara a forma como os membros da matilha me tratavam, que agora agiam com respeito cauteloso em vez de desprezo aberto.
Enquanto caminhava até meu prédio, um cheiro familiar me alcançou de imediato: o almíscar característico de Ethan, forte e inconfundível, fazendo minha loba se retesar no mesmo instante.
Assim, avistei seu automóvel estacionado nas sombras, com a superfície negra refletindo o luar, e apressei o passo, na esperança de alcançar minha porta antes que ele se aproximasse.
— Olivia.
A voz dele rompeu a escuridão, firme e imperiosa, trazendo em cada sílaba a autoridade de um Alfa. Ainda assim, segui adiante como se não tivesse escutado.
Porém, em questão de segundos, ele apareceu junto a mim, deslocando-se com a velocidade sobrenatural de um lobo, e agarrou meu pulso com uma força que me gelou por dentro.
— Nós precisamos conversar… — Rosnou, com os olhos âmbar brilhando na escuridão.
Tentei me soltar.
— Não tenho nada a dizer a você.
No entanto, o aperto se intensificou
— Isso não é um pedido.
Ele não me deu tempo sequer para protestar, porque já me puxava em direção ao carro, deixando que a força avassaladora de seu lobo esmagasse minha frágil resistência. Então, com um gesto rápido e preciso, abriu a porta do passageiro e me empurrou para dentro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Rei Alfa Persegue a Luna Abandonada