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O Rei Alfa Persegue a Luna Abandonada romance Capítulo 154

(Ponto de Vista de Olivia)

Ajoelhei-me diante da lápide de Lily com o coração despedaçado em mil pedaços, pois, embora eu tivesse conseguido remover a profanação repugnante deixada por Victoria, o peso do que havia acontecido ainda pressionava meu peito como uma força física insuportável.

Logo, meus dedos percorreram as letras gravadas com o nome da minha filha, e, apesar da pedra da lua estar limpa agora, eu não consegui afastar a sensação sufocante de que algo havia sido irremediavelmente corrompido.

— Lily, foi culpa da mamãe… — Sussurrei, deixando as lágrimas escorrerem pelo rosto sem controle. — A mamãe sente muito, meu amor...

O ar frio da noite levou minhas palavras embora, sem me oferecer consolo algum. Afinal, cinco anos de luto não haviam sido capazes de amenizar a dor de perdê-la, já que, a cada nova crueldade de Victoria, a ferida reabria como se sangrasse pela primeira vez.

— Eu deveria ter te protegido melhor… — Continuei, permitindo que minha voz falhasse sob o peso da culpa. — Deveria ter percebido o que a Victoria estava fazendo bem antes.

O fato de saber que Victoria tivera parte na morte de Lily queimava dentro de mim como ácido, embora ainda mais doloroso fosse ver Ethan permanecendo cego à verdadeira natureza dela, acreditando em suas mentiras mesmo quando a verdade estava bem diante dos olhos dele.

Então, encostei a testa na pedra fria, como se, por meio daquele contato gélido, pudesse encontrar algum elo com minha filha.

— Lily, você não anda aparecendo nos sonhos da mamãe há tanto tempo... Será que você está culpando a mamãe pelo que aconteceu?

A única resposta foi o silêncio, cruel e cortante.

— Está culpando a mamãe por saber quem te matou, mas não ter feito nada para te vingar?

A ideia me atingiu com uma clareza devastadora, pois eu sabia, ou, ao menos, sempre suspeitara fortemente, que Victoria estivera envolvida no desvio do doador de rim que poderia ter salvado a vida da minha filha… “E, mesmo assim, o que eu fiz? Lancei acusações sem provas, explodi em acessos de fúria que só me fizeram parecer instável e desequilibrada…”

Falhei com Lily em vida, e essa culpa me esmagava por dentro, mas jurei a mim mesma que não falharia com ela na morte.

— Lily, não fique com raiva da mamãe. — Pedi, deixando que um novo tipo de firmeza tomasse conta da minha voz. — A mamãe vai te vingar, ok?

Em seguida, beijei a imagem dela na lápide, aquela pequena fotografia que mostrava seu sorriso doce, mas jamais conseguiria transmitir a luz que irradiava de dentro dela.

Então, me levantei com dificuldade e, com a mão ensanguentada, enxuguei as lágrimas, sentindo o corte que Victoria me causara latejar de forma incômoda, mesmo que, naquele instante, eu quase não o sentisse.

E pelo reflexo na pedra polida, vi uma mulher quase irreconhecível: os cabelos bagunçados, as roupas sujas de sangue e terra, e os olhos, inflamados, com um brilho ameaçador.

“Ótimo! Que esse fogo continuasse queimando, pois eu precisaria dele para o que viria a seguir!”

Afastei-me do túmulo de Lily com a decisão já tomada, uma certeza que ardia em cada célula do meu corpo: “Victoria Frost pagaria pelo que havia feito, e não seria apenas com sua reputação ou seu lugar na matilha, mas com a própria vida!”

Enquanto eu me aproximava dos portões do cemitério, Gregory surgiu em meu caminho, com o rosto envelhecido marcado pela preocupação.

— Sra. Winters, verifiquei as imagens das câmeras. — Disse ele, juntando-se a mim. — Sinto muito, mas quem quer que tenha feito isso sabia exatamente como evitar os pontos de vigilância, então não encontramos nenhuma evidência útil.

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