(Ponto de Vista de Victoria)
Um alívio genuíno percorreu meu corpo assim que ouvi a suspeita de Ethan recair sobre Olivia. Seus olhos âmbar se estreitaram, e a mandíbula se contraiu com uma fúria silenciosa, exatamente como eu precisava.
— Victoria, foi a Olivia quem fez isso com você? — Repetiu ele, com a voz baixa e carregada de tensão.
Evitei responder de imediato, deixando que o silêncio falasse por mim. A dor latejante onde minha cabeça havia colidido com a lápide ainda persistia, mas, considerando o que estava prestes a conquistar, ela se tornava insignificante.
Sem provas concretas, Ethan sempre acabava me escolhendo em vez dela, como sempre havia feito.
Logo, tremi levemente em seus braços, encenando com perfeição o papel da vítima vulnerável.
— Eu... Eu não quero causar problemas. — Murmurei, permitindo que minha voz se partisse de leve no final.
Ethan me envolveu com mais força, e o gesto despertou em mim uma satisfação silenciosa, embora intensa.
— Emma, querida. — Chamei com suavidade, ao notar minha filha parada na porta, observando tudo com um olhar aflito. — A mamãe vai ficar bem. Dorothy, leve ela para o andar de cima, por favor.
Dorothy Lawson, nossa governanta, surgiu logo atrás de Emma.
— Vamos, Srta. Emma. Sua mãe precisa descansar.
— Mas mamãe... — Emma tentou argumentar, com os olhos arregalados de medo.
Esforcei-me para sorrir, reunindo um pouco de doçura.
— Pode ir com a Dorothy, meu amor. O Ethan vai cuidar da mamãe.
Enquanto Dorothy conduzia Emma escada acima, garanti que Ethan percebesse minha preocupação maternal, o que suavizou ainda mais a expressão dele, exatamente como eu queria.
Assim que minha filha desapareceu no andar de cima, deixei que as lágrimas escorressem sem contenção. E embora a dor fosse real, intensifiquei minha expressão de sofrimento para atingir o efeito desejado.
— Eu não quis falar nada na frente da Emma… — Solucei, apertando o peito de Ethan com as mãos. — Mas foi a Olivia. Ela... Ela me atacou no cemitério.
Dr. Bennett arqueou a sobrancelha, porém continuou tratando meu ferimento sem dizer uma palavra.
— No cemitério? — A voz de Ethan saiu tensa, carregada de fúria contida. — O que você estava fazendo lá?
Abaixei os olhos com pesar, assumindo um ar culpado.
— Eu só queria prestar homenagem à Lily. Sei o quanto ela significava pra você e achei que talvez... Isso nos aproximasse.
O semblante de Ethan suavizou ligeiramente ao ouvir o nome da filha.
— A Olivia já estava lá quando eu cheguei. — Continuei, moldando cada palavra com cuidado. — Então, tentei sair discretamente, mas ela me viu e simplesmente... Surtou.
Toquei minha testa com delicadeza, como se relembrar me causasse dor.
— Ela me puxou pelos cabelos e bateu minha cabeça contra a lápide. Várias vezes... E ficou gritando que eu matei a Lily.
O olhar de Ethan se tornou sombrio!
— Ela enlouqueceu de vez.
Assenti com fragilidade.
— Eu fiquei apavorada, Ethan. Achei que ela fosse me matar ali mesmo.
Dr. Bennett pigarreou, demonstrando leve desconforto.
— E o que exatamente provocou esse ataque? Olivia Winters sempre me pareceu controlada, mesmo em meio ao luto.
Lancei a ele um olhar duro, incomodada com sua insistência.
— Eu não sei… — Menti, com uma expressão ferida. — Mal tive tempo de cumprimentá-la antes que ela me atacasse.
O ceticismo continuou estampado no rosto dele, embora preferisse guardar silêncio.
— No fim, consegui fugir. — Continuei, inclinando-me para mais perto de Ethan. — Mas fiquei com medo de que ela me seguisse, de que tentasse machucar a Emma...
A reação de Ethan veio como esperado, com sua postura protetora se intensificando.
— Eu prometo, por tudo o que é mais sagrado, que ela não vai mais chegar perto de vocês duas.
Contudo, antes que ele dissesse mais alguma coisa, uma voz cortante ecoou pelo cômodo, gelando meu sangue.
— Que conveniente você esquecer de mencionar que tentou amaldiçoar o túmulo da minha filha.

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