Cada revelação era como mais um prego selando o caixão da minha culpa, pois eu não tinha defesa nem qualquer justificativa para o meu descaso.
— E quanto ao aniversário dela… — Olivia continuou, com a voz trêmula de emoção. — Você se lembra do que prometeu a ela naquele dia?
Fechei os olhos, permitindo que a memória emergisse contra a minha vontade.
— Eu prometi levá-la à Feira do Luar.
— Sim… — Ela assentiu. — Ela ficou tão empolgada, Ethan, que passou semanas falando apenas disso: “O papai e eu vamos andar no carrossel juntos! O papai e eu vamos comer algodão-doce!” Ela chegou a treinar andar nos meus ombros, para não ter medo de estar nos seus!
As lágrimas arderam nos cantos dos meus olhos, e pisquei rapidamente, recusando-me a demonstrar tamanha fraqueza em público.
— Mas você não apareceu… — Olivia prosseguiu, agora com as próprias lágrimas escorrendo livremente. — Porque Emma tinha um recital de dança naquele dia, e Victoria precisava de você lá.
A acusação pairou entre nós, sendo impossível de ser negada, já que eu havia escolhido Emma em vez da minha própria filha… E Victoria em vez da minha companheira.
— Eu cometi um erro. — Admiti, embora as palavras soassem vazias até para mim.
— Um erro? — A voz dela se elevou levemente. — Você partiu o coração dela, Ethan, e não foi a primeira vez que fez isso!
Olivia então enfiou a mão na bolsa e tirou um pen drive.
— Você não queria ver a Lily? Assista a isso e, assim que terminar, eu te levo até ela imediatamente!
Com os dedos tremendo levemente, peguei o dispositivo de sua mão estendida, ciente de que, independente do que tivesse nele, aquilo mudaria tudo.
— Maxwell. — Chamei, com a voz rouca. — Reproduza isso na tela principal.
Ele assentiu, conectando o drive ao painel de controle do enorme telão instalado na entrada do parque, e poucos segundos depois, a tela ganhou vida.
Na gravação, aparecia a Feira do Luar antigo, e não a versão grandiosa que eu construíra depois, com o carimbo de data no canto confirmando o que eu já suspeitava: era o aniversário da Lily, o dia em que eu prometera encontrá-la.
E lá estava ela, vestindo seu vestido azul favorito, com os cabelos castanhos presos pelo prendedor de pedra da lua que eu lhe dera no Natal, parada na entrada, com o rostinho iluminado pela expectativa e alegria.

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