— Os empregados disseram apenas o que você queria ouvir. — Interrompi. — Que eu estava inventando histórias, usando a Lily como desculpa para chamar sua atenção…
Ri amargamente.
— Como se eu fosse usar nossa filha dessa forma.
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(Ponto de Vista de Ethan)
As palavras dela desencadearam uma enxurrada de lembranças que eu havia ignorado por tanto tempo: conversas desprezadas, súplicas rejeitadas sem pensar…
Lembrei-me das acusações dos empregados, nas quais diziam que Olivia estava, propositalmente, fazendo Lily adoecer só para chamar minha atenção… Acusações que aceitei sem questionar, cegado pelo meu preconceito e pela constante preocupação com Emma.
Foi então que recordei a ligação de Lily… Da sua voz tão frágil e cheia de dor: "Papai, será que você poderia vir ficar com a Lily? A Lily está doente, e o tratamento está doendo muito..."
No entanto, neguei o pedido, acreditando que era apenas mais uma tática manipuladora de Olivia. "Não siga o caminho da sua mãe, com tantas mentiras", disse com frieza, antes de desligar.
A lembrança da minha crueldade me causou um mal-estar físico, fazendo-me curvar para frente enquanto arfava, mas tudo o que veio foi um gosto amargo de bile.
— Eu realmente não sabia… — Engasguei, sabendo, mesmo enquanto dizia, o quão patético aquilo soava. — Eu pensei que...
— Você pensou o quê? — Olivia interrompeu, com a voz carregada de indignação. — Que uma criança de cinco anos mentiria sobre sentir dor? Que ela fingiria cuspir sangue só para chamar sua atenção?
Não soube o que dizer, pois não havia justificativa para o que fizera, ou, ainda pior, para o que deixara de fazer.
— A Lily... Ela realmente tinha insuficiência renal? — Perguntei, gaguejando, enquanto o peso do meu erro se tornava insuportável.
Logo, o olhar gelado de Olivia confirmou tudo.
— Sim. — Disse ela, com simplicidade letal. — Insuficiência renal terminal. Os médicos deram a ela seis meses sem um transplante.
— Mas por que você não...
— Te contei? — Ela completou, sem hesitação. — Claro que eu contei. Liguei, mandei mensagens, fui até o seu escritório. Mas você sempre estava ocupado demais com a Victoria e a Emma para me ouvir.
Cada palavra dela era uma lâmina cravando-se em meu peito, cortando fundo, e eu sabia que eram todas verdades irrefutáveis.
— No fim, encontramos um doador… — Continuou Olivia, com a voz vacilando pela primeira vez. — Ele era compatível, a cirurgia já estava marcada, porém, no último instante, o rim foi redirecionado para outra paciente.
— Quem? — Perguntei, embora, no fundo, já soubesse a resposta.
— Emma. — Sussurrou ela. — A filha da Victoria precisava de um transplante de emergência, e, de algum modo, consideraram a urgência dela maior do que a da Lily.

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