Sob a luz do luar, a pedra polida reluzia, e o rosto sorridente de Lily, eternizado na fotografia colorida incrustada no granito, parecia tão feliz e cheio de vida, distante da imagem pálida e manchada de sangue da criança que eu havia visto nas gravações da vigilância.
— Lily… — Sussurrei, traçando seu nome com os dedos trêmulos. — Por favor, me perdoe...
No entanto, as palavras soaram pateticamente insuficientes. “Que desculpas seriam suficientes para compensar anos de negligência? Como poderia eu reparar a ausência nos seus últimos momentos?”
Foi nesse instante que me recordei da voz dela ao telefone, naquela última ligação: "Papai, será que você poderia vir ficar com a Lily? A Lily está doente, e o tratamento está doendo muito..."
E da minha resposta, fria como gelo: "Não siga o caminho da sua mãe, com tantas mentiras"
Um soluço irrompeu da minha garganta, cru e dilacerante, lembrando-me que eu havia falhado com ela de todas as formas possíveis, tanto como pai quanto como ser humano.
— Eu construí um parque de diversões pra você… — Minha voz falhou, entrecortada. — Eu ia me redimir... Ia ser melhor, eu juro.
Mas a lápide não oferecia absolvição, tampouco perdão. Apenas a realidade crua e definitiva do nome da minha filha gravado na pedra.
As horas se arrastaram enquanto eu permanecia ajoelhado ali, mergulhado nas lembranças. Não nas poucas que vivi com ela, mas nas muitas oportunidades que deixei escapar: aniversários que ignorei, eventos escolares em que falhei, noites em que não estive lá para colocá-la na cama.
Afinal, durante tudo isso, acabei dedicando carinho e atenção a Emma, uma criança que nem sequer era minha.
Logo, com o céu a leste começando a clarear e lançando um brilho prateado sobre o cemitério, o amanhecer se aproximou, pondo fim à minha vigília.
Quando finalmente me levantei, senti minhas articulações rígidas, e minha força de Alfa, antes tão sólida, parecia reduzida a uma sombra do que fora, esvaziada pelo luto.
— Eu volto amanhã, Lily. — Prometi, com a voz rouca de tanto reprimir o choro. — Vou voltar todos os dias, até que você me perdoe.
Assim, virei-me e caminhei lentamente até os portões do cemitério, com o corpo inteiro pesado de dor.
Do lado de fora, Maxwell Chen me esperava, encostado no carro, com o rosto, normalmente impassível, marcado naquele momento por uma expressão inquieta, e ele se endireitou rapidamente ao me ver.
— Rei Alfa. — Saudou com uma leve inclinação de cabeça.
Assenti em silêncio, exausto demais até para falar.
Contudo, ele aparentou desconforto, desviando o olhar. “Algo estava errado…”
— O que foi? — Perguntei, num tom mais ríspido do que pretendia.

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