Na esperança de que o som atravessasse a inconsciência de Olivia, coloquei o tablet perto de sua cama e pressionei para reproduzir.
A tela mostrou uma garotinha de olhos esmeralda idênticos aos de Olivia, e o rostinho pequeno estava sério enquanto ela falava diretamente para a câmera:
— Eu sou grata pela minha mamãe. — Declarou a doce voz de Lily. — Porque ela é a melhor mamãe do mundo todo! Ela faz panquecas de fruta da Lua para mim quando estou triste e me abraça bem forte quando meu rim dói.
Minha garganta se apertou enquanto a menina prosseguia, com a voz ficando mais suave e carregada de sinceridade.
— Se eu pudesse nascer de novo, ainda escolheria a mamãe como minha mamãe. Por isso, mamãe, por favor, não fique mais triste… A Lily ama você mais do que tudo!
O apelo devastador vindo de além do túmulo pareceu penetrar onde nada mais conseguira, porque o corpo de Olivia se enrijeceu de repente e seus dedos estremeceram na minha mão.
Assim, de súbito, os olhos dela se abriram, revelando o verde tomado por uma ânsia desesperada.
— Lily! — Gritou, estendendo-se em direção ao tablet como se quisesse alcançar a imagem da filha.
E no mesmo instante, agarrei sua mão com firmeza.
— Ela está com você, Olivia. Sempre esteve com você. — Assegurei, apertando seus dedos com delicadeza.
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(Ponto de Vista de Olivia)
A escuridão tinha sido meu refúgio, porque naquele vazio silencioso não havia dor, nem luto, nem traição, apenas o abençoado nada.
Foi então que a voz de minha doce Lily ecoou, rasgando as trevas como um raio luminoso:
— Por isso, mamãe, por favor, não fique mais triste… A Lily ama você mais do que tudo!
As palavras me puxaram de volta à consciência contra a minha vontade, e meus olhos se abriram para um mundo do qual eu tentara fugir, com a dor retornando em força brutal.
— Lily! — Gritei, estendendo-me desesperada em direção à voz dela.
Logo uma mão quente agarrou a minha, com dedos fortes entrelaçando aos meus, e percebi que não eram os de Lily, mas de alguém inesperado…
Era Lucas Blackwood, sentado junto à cama, com sua presença imponente quase transbordando da cadeira do hospital, e nos olhos cinzentos, tão acostumados a intimidar, brilhava uma preocupação genuína.
— Ela está com você, Olivia. — Disse com suavidade. — Sempre esteve com você.

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