(Ponto de Vista de Lucas)
Inquieto, percorri de um lado a outro diante da sala de terapia, com os olhos presos no relógio que já marcava quarenta e cinco minutos desde que Olivia entrara com a Dra. Nora Xu. O celular vibrava sem parar com mensagens da matilha, mas eu as ignorei, pois a única coisa que realmente importava naquele momento era ter certeza de que Olivia estava bem.
Foi então que a porta finalmente se abriu e a Dra. Xu saiu sozinha, com a expressão grave, fazendo um gesto para que eu a acompanhasse até uma pequena sala de consulta do outro lado do corredor.
— Como ela está? — Perguntei de imediato, sem perder tempo com formalidades.
A médica suspirou, retirou os óculos e massageou a ponte do nariz.
— Nada bem, Alfa Blackwood, a Srta. Winters está enfrentando um trauma psicológico severo.
Meu estômago se contraiu.
— Conte-me tudo.
— Ela apresenta sinais claros de transtorno de estresse pós-traumático, luto complicado e depressão. — Explicou a doutora. — O incidente no Rio da Lua de Prata não foi a primeira tentativa de suicídio dela.
Senti o sangue sumir do meu rosto.
— O quê?
— Ela confirmou que pular no rio foi intencional. — Disse a Dra. Xu em voz baixa. — E, com base na nossa sessão, acredito que ainda corre alto risco.
Cerrei os punhos, lutando para manter a calma.
— O que posso fazer? Como posso ajudá-la?
A expressão da médica suavizou um pouco.
— Ela precisa de medicação, que já prescrevi, além de sessões regulares de terapia, mas, acima de tudo, precisa de companhia constante. — Inclinou-se para frente, com a voz firme. — Ela não pode ser deixada sozinha, Alfa Blackwood, nem por curtos períodos.
Assenti, gravando mentalmente cada palavra.
— O que mais?
— Mantenha-a em um ambiente positivo, longe da política das matilhas e, principalmente, longe do Alfa Stone e da Victoria Frost. — Prosseguiu. — Porque qualquer contato com eles pode desencadear outra crise. — Nesse instante, seus olhos encontraram os meus. — E, mais do que tudo, proteja-a de qualquer coisa relacionada aos restos mortais da filha, esse é o ponto mais vulnerável dela.
Franzi a testa, confuso.
— Os restos mortais?
— As cinzas. — Esclareceu. — A Srta. Winters teme que algo aconteça com elas, já que são a última conexão física que mantém com a filha.
Logo, a porta se abriu atrás de nós e Olivia entrou, com seus olhos esmeralda opacos e o rosto pálido, mas mantendo uma postura controlada que partia meu coração, porque eu sabia o quanto lhe custava parecer assim.
— Está pronto para irmos? — Perguntou em voz baixa.
Levantei-me de imediato, oferecendo-lhe um sorriso suave.
— Às suas ordens.
A Dra. Xu entregou-lhe um pequeno saco de papel com as prescrições.
— Lembre-se do que conversamos, vejo você em três dias.
Olivia assentiu, segurando o pacote com força.
— Obrigada, Dra. Xu.
Enquanto caminhávamos até meu SUV, permaneci ao lado dela sem tocá-la, porque parecia frágil, como uma boneca de porcelana prestes a se despedaçar ao menor impacto.
— Para onde gostaria de ir? — Perguntei quando já estávamos acomodados. — Quer voltar ao chalé?
Olivia balançou a cabeça rapidamente, com o pânico surgindo em seus olhos.

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