(Ponto de Vista de Olivia)
— Victoria, eu imploro... Por favor, devolva as cinzas da Lily para mim. — Ajoelhei-me por completo no chão frio do cemitério, com os joelhos afundando na terra úmida, ao mesmo tempo que meus olhos esmeralda, vermelhos de tanto chorar, se erguiam para encarar Victoria Frost. Minha voz se quebrou em desespero, e minha loba, antes orgulhosa e feroz, agora gania em submissão, vendo a Urna Cerimonial de Madeira da Lua pender de forma ameaçadora nas mãos bem-cuidadas dela.
O recipiente sagrado que guardava os restos da minha filha não deixava espaço para qualquer outro pensamento. "Enquanto pudesse proteger o que restava da minha pequena, de que valia o meu orgulho?" Minha loba suportaria qualquer humilhação para salvaguardar o espírito da Lily.
— Por favor. — Repeti em um sussurro, odiando o tremor na minha voz. — É tudo o que me restou dela.
Os lábios de Victoria se curvaram em um sorriso cruel enquanto ela balançava a urna de um lado para o outro, e a luz da lua faiscava nos delicados cristais incrustados, projetando prismas brilhantes sobre seu rosto.
— Olhe para você agora… — Disse, com a voz carregada de satisfação. — A poderosa Luna da Matilha Crista de Prata, de joelhos diante de mim.
Diante da sua provocação, engoli em seco, sufocando o último resquício de orgulho.
— Victoria, eu posso fazer qualquer coisa…. Por favor, só não destrua as cinzas dela.
Ela me fitou de cima, saboreando cada segundo de triunfo, e vi nos olhos dela a lembrança da própria humilhação naquele mesmo cemitério, quando eu a obrigara a se curvar diante do túmulo da Lily depois de tê-lo profanado.
— Qualquer coisa? — Os olhos dela brilharam com deleite maligno. — Se realmente quer que eu acredite, então se curve por completo. Não só de joelhos: prostre-se, com a testa encostada no chão.
Sem hesitar, inclinei-me e pressionei a testa contra a terra gelada, e minha loba, movida pelo instinto materno, aceitou a humilhação sem protestar.
— De novo. — Ordenou Victoria, com a voz vibrando de prazer cruel. — Mais baixo desta vez.
Obedeci, dobrando-me até sentir o rosto arranhar contra a aspereza do solo.
— De novo!
A cada vez que eu me erguia, ela exigia uma nova reverência, e assim me prostrei repetidas vezes, até que a pele se rompeu e o sangue quente escorreu, manchando o chão sagrado, enquanto minha loba se rendia por inteiro ao instinto de mãe.
— Como se sente, Olivia? — Provocou Victoria. — Depois de ser reduzida a pó, despojada de tudo e incapaz de manter até a própria dignidade…
Permaneci em silêncio, presa apenas ao foco na urna em suas mãos. Nada mais importava…
— Sua filha preciosa está morta, o seu companheiro me prefere e agora você sangra aos meus pés. — A risada dela ecoou pelo cemitério. — Este é exatamente o buraco que lhe pertence.
Por fim, Victoria ordenou que eu parasse, com os lábios curvados em um sorriso de satisfação, e então colocou a Urna Cerimonial de Madeira da Lua no chão, entre nós duas.

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