(Ponto de Vista de Olivia)
O sangue imediatamente encharcou a camisa branca dele, espalhando-se como uma flor carmesim desabrochando ao luar, e o cheiro metálico invadiu minhas narinas, mas não senti remorso algum, apenas um vazio onde antes existira meu coração.
Logo, torci a faca com força, enterrando-a mais fundo, com o pranto desaguando pelo meu rosto.
— Ela era sua filha! Seu próprio sangue!
Ethan arregalou os olhos âmbar, tomado por dor e surpresa, e quando a boca se abriu, apenas um suspiro sufocado escapou.
— Como você acha que a Lily reagiria? — Solucei, com o corpo inteiro tremendo de dor e fúria. — Como ela se sentiria ao saber que o pai querido foi o responsável pela sua morte?
Imediatamente, recordei da ligação manipuladora da Victoria… Da voz melosa me conduzindo ao Cemitério Luar Sagrado com promessas de devolver a urna de Lily, e do momento em que exibiu a Urna Cerimonial de Madeira da Lua diante de mim, obrigando-me a me ajoelhar até o sangue escorrer da testa.
— Você redirecionou a doadora de rim da Lily para a Emma! — Sibilei, torcendo a faca mais uma vez. — Nossa filha morreu enquanto você consolava a filha de outra mulher!
Eu sabia que Victoria tinha orquestrado aquela cena, esperando que eu tentasse matar Ethan e, em seguida, a mim mesma, pois ela queria me destruir de forma irreparável, empurrando-me ao suicídio pelo peso dos meus atos.
Mas algo em mim se recusava a ceder totalmente ao desespero, já que a urna vazia que eu ainda segurava na mão esquerda me lembrava do que havia perdido, do que me fora arrancado…
— Me diga que não é verdade… — Implorei, com os olhos verdes buscando no rosto dele qualquer sinal de negação. — Diga que a Victoria mentiu…
Eu queria desesperadamente que ele negasse, que dissesse que era apenas uma manipulação cruel, porque minha loba, embora enfraquecida pelo luto, ainda se agarrava à ínfima esperança de que o companheiro que um dia amávamos não tivesse nos traído tão completamente.
Com o rosto crispado de dor, Ethan escorregou pela parede, deixando atrás de si o rastro vermelho do próprio sangue.
— Olivia... — Arfou, com a voz mal audível.
— Diga! — Um grito me escapou enquanto meus dedos se cerravam com mais força em torno do cabo da faca.
Os olhos dele encontraram os meus e, naquele instante, vi a verdade, pois a culpa que brilhou em sua expressão confirmou tudo o que Victoria havia dito.
— Me desculpe… — Sussurrou, ao mesmo tempo que o sangue escorria pelo canto da boca. — Eu nunca quis que Lily morresse.
A confissão me atingiu como um golpe físico, de modo que minhas pernas quase cederam quando a última centelha de esperança morreu em meu peito.
— Você escolheu a Emma em vez da Lily… — Murmurei, com a voz vazia tomada pela descrença. — Você deixou nossa filha morrer!
Ele estendeu as mãos manchadas de sangue na minha direção.
— Olivia, por favor... Eu errei… Sei que errei.
— Não encoste em mim! — Recuei violentamente, e o movimento brusco deslocou a faca de caça de seu abdômen.

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