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O Rei Alfa Persegue a Luna Abandonada romance Capítulo 216

(Ponto de Vista de Lucas)

Corri pelo corredor do hospital em direção à saída, aliviado porque a condição do meu avô finalmente se estabilizara após uma noite aterrorizante, graças aos verdadeiros milagres realizados pelo especialista que eu contratara.

Verificando o celular novamente, encontrei três ligações perdidas de Olivia, e a culpa me corroeu por ter recusado o pedido dela de visitar o Templo da Lua Ancestral.

— Sr. Blackwood? — Thomas chamou, segurando a porta do carro aberta. — Para onde, senhor?

— Bosque de Ipês. — Respondi, deslizando para o banco de trás. — Depressa.

No entanto, ao nos aproximarmos da Ponte Presa Lunar, vi o sedã azul de Olivia derrapando de uma pista a outra, enquanto um ônibus escolar acabava de entrar na ponte à sua frente.

— Pare o carro! — Gritei, já estendendo a mão para a maçaneta da porta.

O tempo se arrastou quando o carro da Olivia guinou violentamente para a esquerda, desviando do ônibus apenas para atingir o guard-rail, e o barulho ensurdecedor de metal retumbou sobre o rio quando o veículo rompeu a barreira.

— Olivia! — Berrei, correndo até a grade.

Por um momento assustador, o carro dela ficou suspenso no ar antes de cair nas águas turbulentas do Rio da Pedra da Lua, e, quando eu já escalei o parapeito, mãos firmes me seguraram por trás.

— Você não pode pular! — Gritou Travis Walker. — A correnteza está forte demais! Vocês dois morreriam!

Debati-me contra o aperto dele.

— Me solte! Ela está se afogando!

— Chamem o Corpo de Resgate Serra da Madeira! — Travis bradou para a multidão que começava a se formar.

E a realidade me atingiu em cheio, porque ele tinha razão. O Rio da Pedra da Lua era famoso por suas correntes traiçoeiras, e se eu saltasse só acrescentaria outro corpo a ser recuperado.

Então, com as mãos trêmulas, tirei o celular e comecei a ligar para todos os contatos que eu tinha em operações aquáticas, oferecendo dinheiro, recursos e equipamentos, prometendo qualquer coisa.

A espera pela equipe de resgate foi excruciante, com cada segundo se arrastando como uma eternidade enquanto eu percorria a ponte de um lado para o outro, sem tirar os olhos da superfície do rio.

Logo, Travis se aproximou com cautela.

— Alfa Blackwood, há uma pequena capela próxima ao Templo da Lua Ancestral, onde muitos lobos costumam buscar conforto em momentos como este.

Sem nada dizer, caminhei até a construção de pedra e, ao me ajoelhar diante do altar singelo, senti que, mesmo não sendo um homem de fé, naquele momento aceitaria qualquer barganha com uma divindade que me escutasse.

— Se conseguir salvá-la, vou garantir o financiamento do santuário do Ancião Tobias Gray durante uma década inteira. Só não a deixe morrer…

Fui arrancado das minhas preces pelo som das sirenes, que anunciaram a chegada do Corpo de Resgate Serra da Madeira e das outras que eu havia contatado.

E sem conseguir esperar, tirei o casaco e a camisa e mergulhei nas águas gélidas, com o frio atravessando meu corpo como uma pancada, mas insisti, vasculhando desesperado as profundezas escuras.

O tempo se alongou até o sol começar a se pôr, e, mesmo com os músculos queimando de exaustão, continuei sem parar.

— Alfa Blackwood! — Gritaram da margem. — Encontraram o carro!

Nadei em direção à voz com energia renovada e vi um grupo de mergulhadores emergindo, com o semblante sombrio.

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