(Ponto de Vista de Olivia)
Enquanto a luz da manhã atravessava a janela da cozinha, organizei com cuidado as frutas da Lua frescas sobre uma pilha de panquecas fofas. Eram raras e custaram uma pequena fortuna, mas minha mãe merecia algo especial.
Depois, acomodei o café da manhã no meu Recipiente Térmico para Alimentos Infundido com Cristais, garantindo que se mantivesse aquecido até o Centro Médico Lua Crescente.
Quando entrei no quarto, o rosto da minha mãe se iluminou.
— Olivia! Que surpresa adorável.
— Bom dia, mamãe. — Falei, beijando-lhe a face. — Trouxe a sua comida favorita.
Os olhos dela se arregalaram ao ver as panquecas de fruta da Lua.
— Ah, querida, você não devia ter se dado ao trabalho!
— A senhora merece. — Insisti, acomodando a pequena bandeja sobre o colo dela.
Depois do café da manhã, ajudei-a a se acomodar em uma cadeira de rodas para o nosso passeio diário pelo Jardim Médico da Crista de Prata, e o ar primaveril estava fresco, carregando o perfume das flores em plena floração.
Logo, paramos perto de um pequeno parquinho onde dois filhotes interagiam, ou melhor, onde uma deles tentava interagir enquanto o outro permanecia arredio.
— Oi! Eu sou a Ruby! — Anunciou a garotinha, com o avental de paciente esvoaçando conforme ela saltitava animada. — Qual é o seu nome?
O menino, magro e pálido no avental igual ao dela, apenas a olhou rapidamente antes de desviar o rosto.
— Estou aqui porque minha barriguinha fica doente às vezes. — Ruby continuou, indiferente ao silêncio dele. — É por isso que você está aqui também?
Minha mãe riu baixo ao meu lado.
— Ela me lembra você.
Ergui a sobrancelha.
— Eu?
— Sim! — Assentiu. — Sempre tentando fazer amizade com os mais quietos. Lembra-se daquele menino que todos chamavam de "Gelinho"?
A lembrança me fez sorrir.
— Matheus! Ele não falava com ninguém.
— Mas você era bastante determinada. — Disse minha mãe, com os olhos aquecidos pela lembrança. — Todos os dias, você sentava-se com ele no almoço, falando sem parar, mesmo enquanto ele a ignorava.
— Até que parou de ignorar… — Completei. — Foram três meses até que ele finalmente falou comigo.
Observamos quando Ruby ofereceu ao menino calado uma pequena flor que havia colhido e, após alguns segundos de hesitação, ele a aceitou.
— Mesmo filhote, sua loba reconhecia os espíritos afins que precisavam de conexão. — Evelyn falou suavemente, com os olhos marejados pelas memórias. — Essa compaixão ainda vive em você, Olivia. Apesar de tudo.
No mesmo instante, apertei a mão dela, com a garganta apertada pela emoção.
Depois de sair do centro médico, dirigi até o restaurante de Pedra da Lua para minha reunião com Gwendolyn Pierce, e a influente loba já me aguardava à mesa reservada, elegante como sempre em seu terno impecável.
— Olivia, querida… — Cumprimentou, beijando-me levemente nas duas faces. — Você está radiante hoje!
Sorri, acomodando-me no assento.
— Sou grata por ter aceitado me receber em cima da hora.
— Quando se trata de talento como o seu, eu arrumo tempo. — Respondeu, indicando a pasta que eu havia levado. — Mostre-me o que fez com as minhas sugestões.

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