— Quero que você autorize a libertação de Connor Blackthorn. — Declarei com firmeza. — Hoje.
— Mas… Ele tentou matar você. — Rosnou Ethan, com os instintos protetores aflorando.
— Esse é um problema meu, não seu. — Retruquei. — Você perdeu o direito de me proteger quando abandonou a mim e a Lily.
As palavras pairaram entre nós, afiadas e cortantes, e os olhos âmbar de Ethan escureceram com uma emoção que eu não conseguia, ou não queria, nomear…
— Muito bem. — Disse, enfim. — Farei a ligação.
No mesmo instante, o alívio percorreu meu corpo, mas mantive a expressão neutra.
— Obrigada.
Ansiosa por fugir da confusão de sentimentos que a presença dele despertava em mim, virei-me para sair. Foi então que o toque do celular me fez parar. Na tela, lia-se: "Abrigo Médico do Bando Crista de Prata"...
Assim que atendi, senti um arrepio percorrendo toda a minha espinha.
— Srta. Winters? — A voz de Sarah Jenkins soou profissional, mas urgente. — Sua mãe foi levada às pressas para a emergência. O estado dela é crítico.
O mundo pareceu girar sob meus pés.
— O que aconteceu?
— Ela apresentou uma dificuldade respiratória súbita. Os médicos já estão cuidando dela, mas a senhorita precisa vir o quanto antes.
Anos antes, outra ligação já havia me dilacerado, trazendo uma emergência diferente, mas igualmente cruel: outro ente querido escapando por entre meus dedos. Lily.
Logo, as forças abandonaram minhas pernas, e desabei na cadeira mais próxima, segurando o celular com a mão trêmula.
— Olivia? — Ethan surgiu ao meu lado de imediato, com a preocupação estampada em seu rosto. — O que houve?
— Minha mãe… — Sussurrei, com a voz quebrada. — Está em estado crítico.
Sem hesitar, Ethan tomou o celular da minha mão.
— Aqui é o Rei Alfa Stone. Preparem sua melhor equipe para Evelyn Winters. Estamos a caminho.
Encerrando a chamada, ajudou-me a me levantar.
— Eu dirijo.
Abalada demais para discutir, deixei que me guiasse até o elevador, com a mão firme dele apoiada na base das minhas costas.
A viagem até o Abrigo Médico do Bando Crista de Prata transcorreu em um borrão de chuva e preces silenciosas, e a presença de Ethan ao meu lado parecia ao mesmo tempo estranha e familiar: um lembrete de tudo o que já havíamos sido um para o outro.
Ao chegarmos, Sarah Jenkins nos recebeu na entrada, e a postura profissional dela suavizou-se com a preocupação genuína.
— Srta. Winters, por favor, por aqui.
Enquanto ela nos guiava pelos corredores estéreis, cada detalhe parecia uma tortura: o cheiro de antisséptico, as vozes abafadas e os bipes incessantes das máquinas me lançaram de volta, com brutal intensidade, aos últimos dias de Lily.
Nesse instante, o Dr. Harrison Fletcher apareceu, saindo da sala de emergência com a expressão carregada de gravidade.
— Srta. Winters, o estado de sua mãe se agravou rapidamente. Estamos fazendo tudo o que podemos, mas preciso do seu consentimento para dar continuidade ao tratamento emergencial.
Ele me estendeu um formulário, mas as palavras nadavam diante dos meus olhos, e minhas mãos tremiam tanto que mal consegui segurar a caneta.
— Isso é... — Engoli em seco. — Isso é exatamente o que aconteceu com a Lily.
A semelhança esmagava. Mais uma vez, em meio a corredores de hospital, eu me via diante da obrigação de assinar um papel que talvez não pudesse salvar um ente querido.
— Olivia. — A voz de Ethan cortou minha agonia. E voltando-se para o médico, ordenou: — Dê continuidade ao tratamento agora mesmo. Eu assumo toda a responsabilidade.

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